Testes com B25 avançam e colocam qualidade do biodiesel no radar

O Brasil avança nos estudos para ampliar a mistura de biodiesel no diesel para 25% (B25). Testes conduzidos pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em parceria com o Instituto Nacional de Tecnologia (INT), buscam avaliar os impactos do aumento do teor do biocombustível sobre o desempenho e a durabilidade de veículos pesados.

A pesquisa acompanha uma frota de ônibus em condições reais de circulação e analisa indicadores como consumo, potência do motor, eficiência, vida útil dos filtros de combustível e desempenho dos veículos.

Também serão avaliadas a compatibilidade de materiais, peças e componentes automotivos que entram em contato com os combustíveis. Os estudos incluem ainda o E35, mistura de 35% de etanol e 65% de gasolina.

Armazenamento e qualidade ganham importância

Com teores maiores de biodiesel, especialistas chamam a atenção para os cuidados necessários ao longo da cadeia de distribuição e armazenamento.

Segundo Andre Garcia, gerente executivo de Estratégia e Gestão de Produto da Unidade de Motores da Cummins, os impactos dependem das características e da validação de cada motor, mas a principal preocupação está nas condições às quais o combustível é submetido durante transporte e armazenagem.

A presença de água é um dos pontos de atenção. Em condições inadequadas, a umidade pode contribuir para processos de corrosão e oxidação de componentes, além de favorecer falhas no sistema de combustível.

Outro fator é a possibilidade de contaminação microbiológica. Por ser produzido a partir de matérias-primas de origem vegetal ou animal, o biodiesel, especialmente na presença de água e sob condições inadequadas de armazenamento, pode favorecer o desenvolvimento de microrganismos e a degradação do combustível.

Por isso, o avanço para misturas mais elevadas amplia também a importância das boas práticas de transporte, acondicionamento, controle de umidade e rotatividade dos estoques.

Os testes com B25 serão importantes para gerar dados técnicos sobre o comportamento da mistura em condições reais e apoiar as próximas decisões sobre a ampliação da participação do biodiesel na matriz brasileira de transportes, conciliando descarbonização, qualidade do combustível e segurança operacional dos motores.

Fonte: ESTADÃO – Veja na íntegra aqui