O setor sucroenergético brasileiro vê juros menores, previsibilidade regulatória e políticas de longo prazo como condições essenciais para uma nova rodada de investimentos em canaviais, máquinas, usinas e tecnologias. A agenda ganha importância diante da perspectiva de crescimento da produção de etanol e da necessidade de ampliar mercados para o biocombustível.
Para João Baggio, CEO da G7 Agro Consultoria Comércio Exterior, governo e iniciativa privada precisam atuar de forma coordenada, preservando principalmente a competitividade entre gasolina e etanol. Intervenções que favoreçam artificialmente o combustível fóssil podem afetar o consumo do biocombustível e comprometer decisões de investimento de produtores e usinas.
Etanol ganha espaço na safra 2026/27
As projeções indicam produção brasileira de 705,2 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2026/27. A fabricação de açúcar deve alcançar 42,9 milhões de toneladas, enquanto a produção total de etanol poderá chegar a 41,9 bilhões de litros.
O etanol de milho amplia ainda mais essa oferta. A produção é projetada em 11,9 bilhões de litros, crescimento de 17%, reforçando a necessidade de desenvolver novos mercados domésticos e internacionais.
No longo prazo, estimativas apontam para uma produção brasileira de até 80 bilhões de litros de etanol em 2050. Para absorver esse crescimento, o setor defende transformar o biocombustível em uma alternativa energética cada vez mais global, com aplicações que avancem além dos veículos leves.
Entre as oportunidades estão híbridos flex, transporte marítimo e aviação, além da possibilidade de aumentar a utilização do próprio etanol em máquinas e equipamentos agrícolas, reduzindo a dependência do diesel nas operações do setor.
Juros elevados travam modernização
O custo do capital permanece como um dos principais obstáculos. Renovação dos canaviais, aquisição de máquinas, drones, irrigação e modernização industrial exigem investimentos elevados e com retorno de longo prazo.
Crédito mais acessível poderia acelerar a renovação das lavouras e a incorporação de tecnologias, aumentando produtividade e eficiência e reduzindo custos.
A agenda também inclui maior produção nacional de fertilizantes, especialmente fosfatados, para diminuir a exposição da cadeia sucroenergética às oscilações cambiais, crises geopolíticas e interrupções no fornecimento internacional.
Clima coloca seguro e irrigação entre prioridades
A maior irregularidade climática também amplia a demanda por mecanismos de proteção. O setor defende o fortalecimento do seguro rural e linhas de financiamento de longo prazo para projetos de irrigação, especialmente em regiões mais expostas à estiagem.
A combinação dessas medidas pode reduzir riscos, dar maior estabilidade à produtividade dos canaviais e oferecer segurança para novos investimentos.
Com a oferta de etanol em expansão, o desafio passa a ser não apenas produzir mais, mas garantir competitividade, demanda e condições para investir. Para o setor, juros menores, regras estáveis, renovação dos canaviais, seguro rural, irrigação e abertura de novos mercados serão determinantes para consolidar o Brasil como fornecedor global de energia renovável.
Fonte: Portal do Agronegócio – Veja na íntegra aqui