Diesel importado dispara e pressão pelo B16 ganha força

A nova escalada do petróleo no mercado internacional aumentou a pressão sobre o abastecimento e os preços do diesel no Brasil, com reflexos diretos para o agronegócio. Ao mesmo tempo, a maior diferença entre os preços do combustível fóssil e do biodiesel fortalece os argumentos do setor para antecipar o B16.

Com o petróleo se aproximando de US$ 110 por barril, a diferença entre o preço do diesel praticado pela Petrobras e o produto importado chegou a aproximadamente R$ 3 por litro em setembro, segundo a Abicom. Em agosto, a defasagem estava em R$ 2,56/litro.

Como cerca de 25% do diesel consumido pelo Brasil é importado, o aumento da defasagem reduz a atratividade das compras externas. Segundo a entidade, importadores vêm adiando aquisições, elevando a preocupação com a disponibilidade do combustível.

Biodiesel ganha competitividade diante do diesel fóssil

O cenário ocorre em um período de demanda elevada do agronegócio por combustíveis, envolvendo operações de campo, plantio e transporte da produção. No Rio Grande do Sul, produtores já manifestaram preocupação com atrasos nas entregas e possíveis impactos sobre as atividades agrícolas.

O governo anunciou uma subvenção de R$ 1 por litro para o diesel, mas o setor agropecuário acompanha principalmente se a medida será suficiente para garantir oferta regular e reduzir os custos na cadeia.

Para o biodiesel, a conjuntura abre outra discussão. Com o diesel importado mais caro, a diferença entre o combustível fóssil e o biodiesel já supera R$ 2 por litro nas distribuidoras, considerando fretes e impostos.

Esse diferencial reforça a pressão para que o governo avance do atual B15 para o B16, elevando de 15% para 16% a participação obrigatória do biodiesel no diesel comercializado no País.

Além de ampliar a demanda pelo biocombustível nacional, uma mistura maior poderia reduzir marginalmente a necessidade de diesel fóssil justamente em um momento de importações mais caras e maior risco de oferta. Com petróleo elevado e tensões geopolíticas persistentes, segurança energética, custos logísticos e avanço do B16 voltam ao centro das discussões do mercado de combustíveis.

Fonte: The AgriBiz – Veja na íntegra aqui