Importação de nitrogenados cai 20% e acende alerta para a safrinha

A proximidade da safrinha encontra o Brasil com importações de fertilizantes nitrogenados nos menores níveis dos últimos seis anos, segundo análise da StoneX. Em 2026, o volume de nitrogênio contido nas compras de ureia, sulfato e nitrato de amônio está aproximadamente 20% abaixo do registrado no mesmo período de 2025.

O movimento chama atenção porque o segundo semestre tradicionalmente concentra a recomposição dos estoques destinados ao milho. Entre janeiro e agosto, as importações brasileiras de ureia somaram 2,8 milhões de toneladas, queda de 23%, enquanto as de nitrato de amônio recuaram 25%, para 519 mil toneladas.

Esperar preços menores pode aumentar risco de compra

A cautela indica que compradores brasileiros podem estar aguardando condições mais favoráveis, especialmente diante da possibilidade de a China ampliar as exportações de ureia. A estratégia, porém, envolve riscos.

O mercado ainda enfrenta restrições no tráfego pelo Estreito de Ormuz, alta dos custos do gás natural e incertezas sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã, fatores capazes de sustentar os preços internacionais dos nitrogenados.

Além disso, o avanço do calendário aproxima a recomposição dos estoques para a próxima safra norte-americana. Caso o Brasil postergue excessivamente as aquisições, poderá entrar no mercado simultaneamente aos compradores do Hemisfério Norte, aumentando a disputa por cargas e reduzindo a margem para negociação.

Para o produtor, o cenário reforça a importância de acompanhar não apenas preços, mas também disponibilidade, logística e janela de entrega. Com a safrinha se aproximando, a expectativa de uma ureia mais barata precisa ser ponderada contra o risco de compras concentradas e maior competição internacional pelo produto.

Fonte: Globo Rural – Veja na íntegra aqui