O mercado brasileiro de biodiesel mudou de direção. Depois de acumular queda de 17,3% entre janeiro e o início de junho, os preços iniciaram uma recuperação que já chega a aproximadamente 9,5%, sinalizando uma nova dinâmica para usinas e distribuidores.
Na 35ª semana de 2026, o preço médio negociado entre produtores e distribuidoras avançou 0,9%, para R$ 5.362,81 por metro cúbico, segundo dados da ANP. Foi uma aceleração em relação às altas de 0,1% e 0,4% registradas nas duas semanas anteriores.
Nas últimas sete semanas, a valorização acumulada está próxima de 5,5%. Apesar da recuperação, o biodiesel ainda permanece abaixo dos patamares próximos de R$ 6 por litro observados no início do ano.
B15 amplia peso do biodiesel no mercado
A recuperação acontece em um mercado estruturalmente maior. Desde agosto de 2025, o Brasil adota o B15, com 15% de biodiesel no diesel comercializado no país, ampliando a demanda obrigatória pelo biocombustível.
A indústria também ganhou escala. Em 2025, a produção brasileira alcançou aproximadamente 9,8 bilhões de litros, crescimento de 8,5% em relação ao ano anterior. O óleo de soja respondeu por cerca de 65,9% das matérias-primas, mantendo os custos do biodiesel fortemente conectados ao complexo soja e ao mercado de óleos vegetais.
Além da mistura obrigatória, novas aplicações começam a ampliar o horizonte de demanda. Empresas já testam B100 em caminhões, enquanto o transporte marítimo avança em misturas com maior participação de biodiesel, como o B24.
Com discussões sobre novas elevações da mistura obrigatória e crescimento dos usos voluntários, o setor entra em uma fase de maior escala. Por isso, o principal sinal da 35ª semana não está apenas na alta de 0,9%, mas na reversão da trajetória de preços iniciada em junho.
O mercado agora acompanha até onde essa recuperação poderá avançar e, principalmente, como matérias-primas, demanda do B15, oferta das usinas e novas aplicações do biodiesel influenciarão os preços nos próximos meses.
Fonte: CPG – Veja na íntegra aqui