Impacto neutro para etanol após corte de imposto da gasolina

A redução dos tributos federais sobre a gasolina acendeu um alerta para o setor sucroenergético: uma gasolina mais barata poderia retirar competitividade do etanol hidratado. Para o BTG Pactual, porém, o mecanismo de compensação previsto na Lei Complementar 235/2026 deve neutralizar esse efeito para as principais produtoras de açúcar e etanol.

O governo reduziu em R$ 0,63 por litro o PIS/Cofins da gasolina A, corte superior aos R$ 0,44 inicialmente esperados. Como a Petrobras desistiu de um reajuste anunciado, o BTG calcula redução de aproximadamente R$ 0,19/litro no preço da gasolina A vendida às distribuidoras, equivalente a cerca de R$ 0,13/litro na gasolina C comercializada nos postos.

Compensação protege competitividade do hidratado

A legislação determina que, quando a redução da tributação federal da gasolina superar 30%, os tributos federais incidentes sobre o etanol sejam zerados. O corte atual representa aproximadamente 71% da carga tributária da gasolina A, acionando esse mecanismo.

Com isso, o etanol hidratado deixa de recolher cerca de R$ 0,19 por litro em tributos federais. Como essa redução isoladamente não compensaria todo o benefício concedido à gasolina, o BTG calcula a necessidade de uma compensação adicional de aproximadamente R$ 0,236/litro aos produtores de etanol.

Considerando os mecanismos previstos, o banco estima que o preço recebido pelo etanol na usina possa passar de aproximadamente R$ 2,76 para R$ 3,10 por litro.

Na avaliação do BTG, portanto, consumidores poderão encontrar preços menores tanto para gasolina quanto para etanol, enquanto a combinação de desoneração tributária e compensação aos produtores tende a preservar a paridade entre os combustíveis e evitar deterioração relevante das margens das usinas.

O banco manteve recomendação neutra para São Martinho, Jalles Machado e Adecoagro. Para o mercado sucroenergético, o foco agora estará na implementação efetiva da compensação e no comportamento da demanda pelo hidratado, além dos tradicionais vetores de preços do açúcar, clima e equilíbrio entre oferta e demanda de etanol.

Fonte: Exame – Veja na íntegra aqui