Governo adia decisão sobre E32 e B16 em meio à alta do petróleo

O Ministério de Minas e Energia (MME) cancelou a reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) que discutiria o aumento da mistura de etanol na gasolina e de biodiesel no diesel, medidas defendidas pelo governo como estratégia para reduzir a dependência de combustíveis fósseis e ampliar a segurança energética do país.

A expectativa do setor ganhou força após o ministro Alexandre Silveira anunciar que estaria na pauta a elevação temporária da mistura de etanol para 32% na gasolina (E32). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também mencionou a possibilidade de aumento do biodiesel para 16% no diesel (B16), embora o tema não tenha entrado oficialmente na pauta do conselho.

Inicialmente prevista para quinta-feira (07), a reunião chegou a ser remarcada para segunda-feira (11), mas acabou sendo retirada do calendário sem confirmação de nova data.

O debate ganhou tração nas últimas semanas diante da disparada internacional dos preços do petróleo, intensificada pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio. Entidades ligadas ao agronegócio e aos biocombustíveis defendem que o avanço das misturas pode ajudar a reduzir a exposição do Brasil à volatilidade externa dos combustíveis.

Em nota, a Frente Parlamentar do Biodiesel (FPBio) afirmou que ampliar a participação dos biocombustíveis “fortalece a soberania energética nacional” e ajuda a proteger o consumidor brasileiro em um cenário de instabilidade global.

Apesar do apoio político e setorial, técnicos alertam que ainda são necessários testes para validar o desempenho dos combustíveis com maiores teores de mistura. A Agência Nacional do Petróleo (ANP), inclusive, acelerou recentemente a definição de critérios para participação nos testes de viabilidade técnica.

Atualmente, os percentuais em vigor são de 30% de etanol anidro na gasolina e 15% de biodiesel no diesel, implementados em agosto. Na época, o governo já associava a medida à redução da dependência brasileira de importações de gasolina.

Além da discussão sobre os biocombustíveis, a reunião cancelada do CNPE também previa debates sobre ampliação da fiscalização da ANP e comercialização do gás natural da União.

Fonte: Eixos – Veja a matéria na íntegra aqui