Biodiesel impulsiona agroindústria e abre nova fronteira no RS

O avanço dos biocombustíveis está transformando a dinâmica do agronegócio no Rio Grande do Sul. Além de contribuir para a descarbonização e a segurança energética, a expansão do biodiesel e do etanol começa a estimular investimentos, agregar valor aos grãos e fortalecer cadeias como aves, suínos e bovinos.

Durante o painel “Biodiesel, solução nacional para a segurança energética”, na Expointer, o secretário da Agricultura do RS, Márcio Madalena, destacou a complementaridade entre a produção de energia e proteína animal. O processamento de oleaginosas para biodiesel amplia a disponibilidade de farelo para alimentação animal, criando sinergia entre as duas indústrias.

Para André Nassar, presidente da Abiove, o Rio Grande do Sul reúne condições para se consolidar como referência em biodiesel produzido a partir de oleaginosas, assim como São Paulo se tornou referência em etanol de cana e Mato Grosso em etanol de milho.

O potencial de industrialização também chama atenção. Segundo Nassar, o Brasil processa internamente apenas cerca de 30% da soja, enquanto a produção do grão cresce, em média, 7% ao ano, adicionando aproximadamente 4 milhões de toneladas destinadas a mercados como biodiesel, proteína animal e glicerina.

Brasil já pode produzir 15 bilhões de litros

O crescimento da indústria reforça essa perspectiva. Segundo Manuel Viveiros, da Binatural e da Ubrabio, a produção brasileira de biodiesel saltou de 4 bilhões para 10 bilhões de litros anuais em uma década, enquanto a capacidade instalada já alcança cerca de 15 bilhões de litros.

A ampliação da mistura obrigatória pode ajudar a ocupar essa capacidade e reduzir a dependência do diesel importado. Segundo Viveiros, cada ponto percentual adicional de biodiesel na mistura poderia reduzir em até R$ 8 bilhões os subsídios associados à importação do combustível fóssil.

Para o setor, o próximo passo é ampliar o uso do biodiesel para além do transporte rodoviário e aproveitar a agroenergia como vetor de industrialização, segurança energética e desenvolvimento regional, conectando a produção de grãos à geração de energia, proteína animal e novos produtos de maior valor agregado.

Fonte: GZH – Veja na íntegra aqui