Os preços do açúcar voltaram a subir com força nas bolsas internacionais, impulsionados pela combinação de clima adverso na Ásia e menor oferta global. Em Nova York, os contratos atingiram o maior nível em sete semanas, enquanto em Londres o açúcar branco alcançou a maior cotação em mais de nove meses.
O principal fator de sustentação continua sendo o déficit de chuvas durante a temporada de monções na Índia, onde o acumulado permanece 38% abaixo da média histórica. O mercado também acompanha com preocupação a situação da Tailândia, outro importante exportador mundial.
Segundo João Baggio, diretor-presidente da G7 Agro Consultoria, o mercado já precifica um cenário de oferta mais restrita.
“As monções estão indicando que não serão satisfatórias. Então a produção da Tailândia pode ser menor e a da Índia também. O mercado está olhando para isso e precificando uma oferta mais apertada.”
Outro fator de suporte vem da estratégia indiana de ampliar a produção de etanol, reduzindo a disponibilidade de açúcar para exportação.
No Brasil, os fundamentos seguem favoráveis às cotações. Dados da Unica mostram que a produção de açúcar do Centro-Sul caiu 2% até o fim de maio, enquanto as usinas destinaram 58,38% da cana para a produção de etanol, reduzindo a participação do açúcar no mix.
Para Baggio, essa mudança pode retirar entre 2 e 3 milhões de toneladas de açúcar do mercado internacional.
“A safra brasileira está mais alcooleira do que açucareira. Esse é um fundamento importante para sustentar os preços.”
Na avaliação do consultor, a evolução das monções na Índia e na Tailândia, juntamente com a estratégia das usinas brasileiras em priorizar o etanol, continuará sendo o principal fator de direção para o mercado do açúcar nos próximos meses.
Fonte: Notícias Agrícolas – Veja matéria na íntegra aqui