O mercado de fusões e aquisições do setor sucroenergético entrou em uma nova fase. Após o ciclo de valorização impulsionado pelos preços recordes do açúcar, as usinas voltaram a ser negociadas por múltiplos menores, refletindo um ambiente de margens mais apertadas e juros elevados.
Levantamento do Banco ABC mostra que os ativos negociados entre 2022 e 2026 foram avaliados entre R$ 220 e R$ 330 por tonelada de capacidade instalada, patamar confirmado pela Czarnikow, que estima múltiplos entre R$ 220 e R$ 375 por tonelada.
As operações mais recentes ilustram essa mudança de cenário. A venda da Usina Caarapó, da Raízen para a Adecoagro, foi fechada por cerca de R$ 217 por tonelada, valor semelhante ao da aquisição de uma unidade da Tereos pela Viralcool, de R$ 219 por tonelada. Ambos os negócios ficaram abaixo dos múltiplos registrados durante o auge do mercado, quando transações chegaram a superar R$ 330 e até R$ 448 por tonelada.
Segundo analistas, a redução dos valuations reflete a combinação de preços do açúcar próximos ao custo de produção, custos financeiros elevados e maior seletividade dos investidores. Ainda assim, ativos com forte geração de caixa, capacidade de cogeração de energia, contratos sólidos de fornecimento de cana e maior eficiência operacional continuam capazes de negociar com prêmio em relação à média do mercado.
Fonte: The Agribiz – Veja a matéria na íntegra aqui