Testes com B20 e B25 entram no radar imediato

O Ministério de Minas e Energia (MME) trabalha para iniciar já em maio os testes com misturas de 20% (B20) e 25% (B25) de biodiesel no diesel. A avaliação é considerada etapa crítica para viabilizar qualquer aumento gradual acima do atual B15. A leitura dentro da Pasta é objetiva: não há avanço para B16 ou B17 sem validação prévia em B20 — uma decisão que frustrou parte da indústria, que defendia ensaios intermediários menos complexos.

Cronograma longo e decisão política no fim do processo

Mesmo com início previsto para maio, o cronograma é extenso:

Conclusão dos testes: fevereiro de 2027
Validação técnica pelo MME
Decisão final no Conselho Nacional de Política Energética (CNPE

Ou seja, o avanço da mistura segue condicionado a evidência técnica + decisão política.

Impacto direto: redução de importações de diesel

Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), cada aumento de 1 ponto percentual na mistura pode reduzir em 700 milhões de litros/ano a necessidade de importação de diesel. O movimento ganha relevância no atual cenário global de oferta restrita, pressionado por tensões geopolíticas.

Custo e governança dos testes

O projeto terá custo estimado de R$ 8 milhões, com financiamento parcial das usinas. A coordenação técnica envolve o Instituto Mauá e outros laboratórios ainda em negociação, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). Além disso, ainda será definida a estrutura de governança e acompanhamento dos ensaios.

Risco industrial: aumento de custo e novas exigências

Um ponto-chave para o setor produtivo: os testes podem exigir mudanças nas especificações do biodiesel. Isso implica ajustes de processo e possível aumento de custo. Esse movimento não é novo — já ocorreu no avanço para B15, quando a ANP passou a exigir aditivos para melhorar a estabilidade do combustível. A tendência, segundo a Abiove, é de novas exigências técnicas para teores acima de 15%, embora a indústria sinalize capacidade de adaptação.

O avanço do biodiesel entra em uma fase mais técnica e estruturada, com três vetores claros:

Segurança operacional (motores e combustível)
Redução da dependência energética externa
Pressão por eficiência industrial e padronização

Fonte: Globo Rural – Veja a matéria na íntegra aqui