Analistas internacionais da Czarnikow reduziram de forma significativa a estimativa de excedente global de açúcar para a safra 2026/27, em um movimento que começa a reposicionar o equilíbrio entre oferta e demanda no mercado internacional. A nova projeção aponta um superávit de 1,1 milhão de toneladas, reflexo direto dos riscos climáticos associados ao fenômeno El Niño.
A revisão representa um corte de 300 mil toneladas em relação à estimativa de março e uma redução ainda mais expressiva frente aos 3,4 milhões de toneladas projetados em fevereiro, indicando uma rápida reprecificação das expectativas globais.
Produção menor e consumo maior estreitam balanço
De acordo com o relatório, a produção global de açúcar para 2026/27 foi ajustada para 180,4 milhões de toneladas, com leve redução em relação à projeção anterior. Já o consumo segue em trajetória de crescimento e deve atingir 179,3 milhões de toneladas, reforçando o aperto na relação estoque/uso. Na prática, o mercado ainda opera em superávit, mas com uma margem muito mais estreita — cenário que tende a aumentar a sensibilidade dos preços a qualquer novo choque de oferta.
El Niño no radar: risco climático nas principais origens
O fator central por trás da revisão é o comportamento climático. O El Niño, segundo a Czarnikow, pode impactar diretamente três dos principais polos produtores globais:
1 – Índia e Tailândia: tendência de clima mais quente e seco, com potencial de redução na produtividade da cana;
2 – Centro-Sul do Brasil: aumento das chuvas, o que pode comprometer o ritmo de moagem e a eficiência operacional das usinas;
Esse conjunto de riscos adiciona incerteza a um mercado que vinha trabalhando com expectativas mais confortáveis de oferta.
Safra atual ainda robusta, mas também em revisão
Para a safra 2025/26, a Czarnikow projeta produção global de 184,1 milhões de toneladas, o segundo maior volume já registrado. Ainda assim, o excedente também foi revisado para baixo, agora estimado em 5,8 milhões de toneladas, ante 8,3 milhões previstos anteriormente. Entre os destaques regionais:
Tailândia: produção revisada para cima, de 11,5 para 12 milhões de toneladas
Índia: produção estimada em pouco menos de 28 milhões de toneladas
Leitura de mercado: menos folga, mais volatilidade. A sequência de revisões reforça uma mudança importante na narrativa do mercado global de açúcar: o excedente existe, mas está encolhendo rapidamente. Esse cenário tende a:
Aumentar a volatilidade das cotações
Reforçar a dependência de fatores climáticos
Elevar a relevância do mix açúcar/etanol no Brasil
Para os agentes do setor, o foco passa a ser menos o tamanho absoluto da oferta e mais a qualidade e regularidade dessa produção, em um ambiente onde qualquer desvio climático pode alterar o equilíbrio global.
Fonte: Jornal Cana – Veja a matéria na íntegra aqui