
Os preços do petróleo registaram uma ligeira subida esta segunda-feira, depois de terem avançado mais de 2% na sessão anterior, impulsionados por perturbações na produção nos principais estados produtores de crude dos Estados Unidos e pelo agravamento das tensões geopolíticas entre Washington e Teerã.
Segundo nota do “Mercado e Finanças”, o Brent, referência para Angola, avançou 23 cêntimos, ou 0,4%, para 66,11 dólares por barril, pelas 09:05 GMT. Já o crude norte-americano West Texas Intermediate (WTI) subiu 19 cêntimos, ou 0,3%, para 61,26 dólares por barril.
Ambos os índices registaram ganhos semanais de 2,7%, encerrando a última sessão de sexta-feira nos níveis mais elevados desde 14 de janeiro.
De acordo com analistas, a subida dos preços foi impulsionada pelos efeitos da tempestade de inverno Fern, que atingiu a costa dos Estados Unidos, forçando a interrupção da produção em importantes regiões produtoras de crude e gás natural e colocando pressão adicional sobre a rede elétrica.
“Os mercados petrolíferos estão a atravessar uma ligeira recuperação, à medida que as interrupções na produção apertam os fluxos físicos”, explicou Priyanka Sachdeva, analista sénior da Phillip Nova, citada pela Reuters.
Segundo uma nota divulgada esta segunda-feira por analistas do JPMorgan, cerca de 250 mil barris por dia de produção de crude foram perdidos nos Estados Unidos devido às condições meteorológicas adversas, incluindo quebras nos campos de Bakken, no Oklahoma, e em várias zonas do Texas.
Para além dos factores climáticos, os investidores mantêm-se atentos aos riscos geopolíticos, num contexto de tensão crescente entre os Estados Unidos e o Irão. Na semana passada, o Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que uma “armada” dos Estados Unidos se encontra a caminho do Irão, embora tenha manifestado esperança de não ter de recorrer ao uso da força.
Donald Trump voltou a advertir Teerão contra a repressão violenta de manifestantes e contra uma eventual retoma do programa nuclear iraniano. Em resposta, um alto responsável iraniano afirmou, na sexta-feira, que qualquer ataque seria encarado como “uma guerra total”.
Uma nota de investigação do banco sueco SEB refere que, embora o frio extremo nos Estados Unidos e o aumento da procura por gasóleo de aquecimento tenham contribuído para a subida dos preços no final da semana passada, o factor mais determinante terá sido a escalada das tensões com o Irão, incluindo o destacamento do porta-aviões norte-americano USS Abraham Lincoln para o Médio Oriente.
Entretanto, no Cazaquistão, o Consórcio do Oleoduto do Cáspio anunciou que retomou, no domingo, a plena capacidade de carregamento no terminal da costa do Mar Negro, após a conclusão de trabalhos de manutenção num dos seus três pontos de amarração, o que poderá aliviar parcialmente as preocupações do mercado quanto à oferta.
Fonte: Mercado e Finanças