Inpasa projeta R$ 22 bilhões em dutos para escoar etanol de milho

O avanço acelerado do etanol de milho no Centro-Oeste começa a exigir uma nova escala de infraestrutura logística. A Inpasa estrutura um investimento estimado em R$ 22 bilhões para construir dois dutos entre Sinop (MT) e Paulínia (SP), em um corredor de aproximadamente 2,1 mil quilômetros.

Batizado de Projeto Pascal, o empreendimento já foi apresentado ao Ibama para início do processo de licenciamento ambiental federal e poderá representar um dos maiores investimentos recentes na logística brasileira de biocombustíveis.

Um dos dutos terá capacidade para transportar 13,3 milhões de m³ — ou 13,3 bilhões de litros — de etanol por ano do Centro-Oeste até Paulínia, principal polo de distribuição de combustíveis do país. A estrutura também poderá facilitar posteriormente o acesso ao Porto de Santos e ao mercado de exportação.

No sentido inverso, o segundo duto poderá movimentar 6,6 milhões de m³ de derivados de petróleo por ano de Paulínia para Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, reduzindo uma importante assimetria logística da região.

Etanol de milho pressiona infraestrutura

O projeto acompanha a rápida expansão da indústria no Centro-Oeste. Segundo dados apresentados pela empresa, 15 usinas de etanol de milho foram construídas na região nos últimos cinco anos, enquanto a produção regional avançou de 11,3 milhões para 16,2 milhões de m³, aproximando-se de metade da produção brasileira de etanol.

Hoje, parte relevante desse combustível precisa percorrer longas distâncias por rodovia até os grandes centros consumidores. Entre algumas das novas usinas e os principais mercados, o trajeto pode chegar a 1,7 mil quilômetros.

A proposta da Inpasa é aproveitar corredores de infraestrutura existentes. Entre Sinop e Campo Grande, os dutos acompanhariam principalmente a BR-163. De Campo Grande a Paulínia, grande parte do percurso utilizaria a faixa de servidão do Gasoduto Bolívia–Brasil (Gasbol).

Projeto pode retirar 225 mil viagens de caminhões das rodovias

A Inpasa estima que os dutos possam eliminar cerca de 225 mil viagens de caminhão por ano, equivalentes à utilização de aproximadamente 5,4 mil veículos e motoristas.

Em capacidade nominal, a companhia calcula ainda uma redução potencial de aproximadamente 500 mil toneladas de emissões de carbono por ano. As estimativas dependem, contudo, do desenho definitivo e do nível de utilização da infraestrutura.

O Ibama já identificou pontos que exigirão estudos aprofundados, incluindo áreas urbanizadas, cursos d’água, zonas úmidas, vegetação nativa e trechos de maior sensibilidade ambiental. O projeto ainda deverá avançar pelas etapas do licenciamento, incluindo a elaboração do EIA/Rima.

Para o mercado de biocombustíveis, o Projeto Pascal sinaliza uma mudança de escala: o crescimento do etanol de milho começa a transformar não apenas a matriz de combustíveis, mas também a infraestrutura necessária para conectar as novas biorrefinarias do Centro-Oeste aos grandes mercados consumidores e aos corredores de exportação.

Fonte: Eixos – Veja na íntegra aqui