Açúcar reage em Londres com suporte de oferta mais apertada

Os preços internacionais do açúcar encerraram o pregão da última terça-feira (21) em campo misto em Nova York e com valorização consistente em Londres, refletindo um ajuste de expectativas do lado da oferta global e maior sensibilidade ao movimento do petróleo.

O destaque do dia veio do mercado europeu. Segundo a Barchart, os contratos em Londres atingiram os maiores níveis em uma semana, sustentados pela percepção de menor produção brasileira na safra 2026/27 — fator que vem ganhando peso nas decisões dos agentes.

A revisão do USDA reforça essa leitura. O órgão projeta uma produção de 42,5 milhões de toneladas no Brasil, queda de 3% na comparação anual, com um vetor claro: maior direcionamento da cana para etanol, reduzindo a disponibilidade de açúcar no mercado global.

Excedente global encolhe e sustenta preços

Outro elemento estrutural de suporte vem do lado do balanço global. As revisões mais recentes apontam para um excedente menor do que o esperado, reduzindo a pressão baixista sobre as cotações.

A Covrig Analytics cortou sua estimativa de excedente para 800 mil toneladas (ante 1,4 milhão), enquanto a Czarnikow fez ajustes ainda mais relevantes:

2026/27: de 3,4 milhões para 1,1 milhão de toneladas
2025/26: de 8,3 milhões para 5,8 milhões de toneladas

Na prática, o mercado passa a precificar um cenário menos folgado, o que tende a limitar quedas mais acentuadas e abrir espaço para recomposição de preços.

Petróleo reforça arbitragem açúcar x etanol

A alta de cerca de 2% no petróleo também contribuiu para o viés positivo, ao reforçar a competitividade do etanol. Esse movimento impacta diretamente a decisão das usinas, que podem priorizar a produção de biocombustível em detrimento do açúcar, reduzindo ainda mais a oferta do adoçante no mercado internacional.

O pregão reforça um ponto-chave: o açúcar volta a ser guiado por uma equação mais apertada entre oferta global revisada para baixo, decisão de mix das usinas e correlação com o petróleo.Para os próximos movimentos, o mercado deve continuar reagindo a qualquer sinal de:

intensificação do mix para etanol no Brasil
novas revisões de excedente global
volatilidade no petróleo

Fonte: Notícias Agrícolas – Veja matéria na íntegra aqui