Os preços do etanol hidratado acumulam alta de 37,6% desde o início de agosto, recuperando praticamente todas as perdas registradas nos primeiros meses da safra 2026/27. O movimento é impulsionado principalmente pelo atraso na moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul, provocado pelo excesso de chuvas associado ao El Niño.
Na semana encerrada em 30 de outubro, o indicador Cepea/Esalq para o etanol hidratado recebido pelas usinas paulistas atingiu R$ 2,8135 por litro, próximo dos R$ 2,8875 registrados no início de abril. Entre abril e julho, o biocombustível havia acumulado desvalorização de 29,2%.
Em Mato Grosso, a recuperação também é expressiva. Os preços subiram 21,6% desde agosto, alcançando R$ 3.119,51 por metro cúbico, maior patamar desde o fim de abril.
Segundo Tarcilo Rodrigues, diretor da Bioagência, o principal fator de sustentação dos preços é a dificuldade das usinas em avançar com a colheita. Apesar da elevada disponibilidade de cana no campo, as chuvas persistentes impedem a entrada das máquinas e reduzem o ritmo de processamento.
A expectativa é de que parte das unidades prolongue a moagem até dezembro, dependendo das condições climáticas, para evitar que grandes volumes de cana permaneçam no campo para a próxima safra. O especialista avalia que ainda existe espaço para novas altas do etanol, embora a reação do consumidor aos preços seja um fator importante para a sustentação da demanda.
Enquanto os preços recebidos pelas usinas avançaram 37,6% desde agosto, o reajuste ao consumidor foi menor. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o etanol hidratado acumulou alta de 8,6% nos postos paulistas desde meados de agosto, chegando ao preço médio de R$ 3,92 por litro no fim de outubro.
Mesmo com a valorização, o biocombustível permanece economicamente atrativo. Seu preço equivale a 62% do valor da gasolina em São Paulo, abaixo da referência tradicional de 70% utilizada para avaliar a competitividade nos veículos flex.
O mercado de etanol entra na reta final de 2026 com preços fortalecidos e atenção à disponibilidade de oferta. A continuidade das chuvas, o ritmo de moagem das usinas e a resposta do consumo serão determinantes para o comportamento das cotações durante a entressafra.
Fonte: Globo Rural – Veja na íntegra aqui