Demanda por biodiesel pode chegar a 18 bilhões de litros em 2035, aponta CNI

O crescimento do consumo de combustíveis renováveis no Brasil exigirá investimentos para ampliar a capacidade produtiva e garantir a segurança do abastecimento. O alerta é da Confederação Nacional da Indústria (CNI), no estudo Combustíveis no Brasil: análise do mercado e perspectivas para a descarbonização, que aponta a necessidade de alinhar as metas ambientais à expansão da oferta.

Segundo o levantamento, cerca de 25% da energia utilizada no transporte brasileiro em 2025 teve origem em biocombustíveis, resultado que evidencia a participação do etanol e do biodiesel na matriz energética nacional.

A CNI projeta que o consumo brasileiro de biodiesel poderá alcançar 18 bilhões de litros em 2035, impulsionado pelo aumento gradual da mistura obrigatória ao diesel. Entretanto, a entidade alerta que percentuais superiores a 20% poderão exigir investimentos adicionais na capacidade industrial para evitar restrições de abastecimento. Para o etanol, a demanda estimada é de 46 bilhões de litros em 2035, sustentada pelo crescimento do consumo de etanol hidratado e pela ampliação da mistura de anidro à gasolina.

O estudo destaca que a sazonalidade da produção de cana-de-açúcar, a disponibilidade de matérias-primas e a concorrência entre açúcar e etanol são fatores que precisam ser considerados no planejamento da oferta.

Entre os combustíveis emergentes, o diesel verde poderá atingir demanda potencial de 2,5 bilhões de litros em 2035, considerando uma mistura de até 3%. Entretanto, o Brasil ainda precisa desenvolver capacidade comercial de produção em escala compatível com esse volume.

No setor aéreo, a expansão do combustível sustentável de aviação (SAF) ganha importância com as exigências regulatórias previstas a partir de 2027, incluindo o Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação (ProBioQAV).

CNI propõe monitoramento para evitar desabastecimento

Para garantir o equilíbrio entre produção e consumo, a CNI recomenda a criação de um Comitê Permanente de Monitoramento de Biocombustíveis, responsável por acompanhar a capacidade industrial, os investimentos, a disponibilidade de matérias-primas e os riscos de abastecimento.

A entidade também defende mecanismos de financiamento de longo prazo, maior previsibilidade regulatória e políticas que incentivem novos projetos industriais, especialmente nos segmentos de SAF e diesel verde.

Outra proposta é estabelecer instrumentos de comércio exterior que permitam ajustar importações e exportações em situações excepcionais de restrição de oferta.

O estudo reforça que o avanço da descarbonização no Brasil dependerá não apenas de metas de consumo, mas também de investimentos capazes de garantir oferta competitiva e suficiente. Para a CNI, ampliar a produção nacional de biocombustíveis representa uma oportunidade de fortalecer a indústria, reduzir a dependência de combustíveis importados e aumentar a segurança energética do país.

Fonte: Brasil 61 – Veja na íntegra aqui