Consumo de fertilizantes pode cair até 15% em 2026 e voltar aos níveis de 2022

O mercado brasileiro de fertilizantes poderá encerrar 2026 com uma das maiores retrações dos últimos anos, retornando a volumes próximos aos registrados em 2022. Após o recorde de 49,1 milhões de toneladas entregues em 2025, o setor enfrenta desaceleração nas compras, restrições de crédito e custos elevados dos insumos agrícolas.

Segundo projeções da Mosaic, as entregas nacionais devem ficar entre 42 milhões e 44 milhões de toneladas, queda aproximada de 10% a 15%. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) considera possível um resultado ainda menor, abaixo de 42 milhões de toneladas, próximo ao volume de 41 milhões registrado em 2022.

A revisão das estimativas reflete a ausência de uma recuperação mais expressiva nas compras para a safra de soja 2026/27 e as incertezas sobre a demanda de fertilizantes para a próxima safrinha. Entre os principais fatores de preocupação está a disponibilidade de enxofre, matéria-prima essencial para a fabricação de fertilizantes fosfatados. As restrições de oferta, agravadas pelos conflitos no Oriente Médio, elevaram os custos industriais e provocaram ajustes na produção brasileira.

A Mosaic anunciou paralisações temporárias ou parciais em cinco plantas no país, além de redução das atividades em duas unidades de mistura. Embora a StoneX tenha identificado queda de 23% nos preços do enxofre em sete semanas, com valores abaixo de US$ 1.000 por tonelada, o insumo permanece em patamar elevado para a indústria.

Entregas recuam 8,8% e produtores reduzem adubação

Dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda) mostram que as entregas brasileiras somaram 22,9 milhões de toneladas entre janeiro e julho de 2026, queda de 8,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. Somente em julho, o volume recuou 22,3%, para 3,9 milhões de toneladas. A produção nacional de fertilizantes intermediários também apresentou retração de 19,7% no acumulado dos sete primeiros meses. Com margens agrícolas pressionadas e dificuldades de financiamento, parte dos produtores tem adiado aquisições e reduzido temporariamente a aplicação de fertilizantes.

Segundo a Aprosoja Brasil, alguns agricultores estão aproveitando o fósforo residual acumulado no solo para diminuir os custos de adubação. Entretanto, a estratégia exige acompanhamento técnico, pois a redução da reposição de nutrientes pode comprometer a fertilidade e a produtividade das lavouras.

Safrinha de 2027 será decisiva para recuperação do mercado

A demanda para a segunda safra de milho será um dos principais fatores para definir o resultado de 2026 e as perspectivas de abastecimento em 2027. A Mosaic alerta para o risco de o próximo ano começar com estoques menores, importações reduzidas e produção doméstica limitada pela disponibilidade de matérias-primas.

O cenário também preocupa diante da projeção da Conab de crescimento de apenas 1,4% na área de soja 2026/27, com produção estimada em 181,6 milhões de toneladas. O mercado brasileiro de fertilizantes entra na reta final de 2026 pressionado pela combinação de custos elevados, menor poder de compra dos produtores e riscos de abastecimento. A evolução das compras para a safrinha, a disponibilidade de enxofre e as condições de crédito serão determinantes para a recuperação do setor em 2027.

Fonte: Portal do Agronegócio – Veja na íntegra aqui