Açúcar sobe nas bolsas internacionais após queda de 23% na produção brasileira

Os preços internacionais do açúcar encerraram a quinta-feira (29) em alta nas bolsas de Nova York e Londres, impulsionados pela redução da moagem de cana-de-açúcar e da produção brasileira na primeira quinzena de outubro. As chuvas persistentes associadas ao El Niño continuam dificultando as operações das usinas e ampliando as incertezas sobre a oferta da commodity.

Segundo dados do Ministério da Agricultura divulgados pela Barchart, as usinas brasileiras processaram 32 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na primeira metade de outubro, queda de 18% em relação ao mesmo período de 2025. A produção de açúcar recuou ainda mais, 23%, totalizando 2,15 milhões de toneladas.

Na bolsa de Nova York, o contrato de açúcar bruto para março de 2027 avançou 0,67%, encerrando a 19,47 centavos de dólar por libra-peso. Em Londres, o açúcar branco para dezembro de 2026 subiu 0,36%, para US$ 527,60 por tonelada.

El Niño compromete moagem e aumenta riscos para a oferta

O excesso de chuvas no Centro-Sul brasileiro tem provocado interrupções na colheita e no processamento da cana-de-açúcar. Segundo a StoneX, a previsão de novas precipitações nas regiões produtoras poderá prolongar as dificuldades operacionais das usinas.

Apesar da recuperação das cotações desde terça-feira, o mercado ainda enfrenta pressão cambial. A forte desvalorização do real brasileiro ao longo da semana favorece a competitividade das exportações nacionais, podendo estimular as vendas externas e limitar a valorização do açúcar.

No cenário internacional, a Covrig Analytics elevou sua projeção de déficit mundial de açúcar na safra 2026/27 de 300 mil para 490 mil toneladas. Para 2025/26, a consultoria reduziu a estimativa de superávit de 5,2 milhões para 1,2 milhão de toneladas.

Na Índia, outro importante produtor mundial, a fabricação de açúcar somou 400 mil toneladas até 25 de outubro, abaixo das 600 mil toneladas registradas no mesmo período do ciclo anterior. Entretanto, os estoques de passagem de 3,6 milhões de toneladas oferecem suporte ao abastecimento doméstico.

As condições climáticas indianas também preocupam, após o período de monções registrar chuvas 12,6% abaixo da média histórica, no menor volume em 11 anos.

O mercado internacional de açúcar permanece dividido entre os riscos de menor oferta e a pressão exercida pelo câmbio brasileiro. Para as próximas sessões, o ritmo da moagem no Centro-Sul, a evolução das chuvas e o comportamento do real serão determinantes para a direção dos preços.

Fonte: RPA News – Veja na íntegra aqui