Brasil reforça defesa do etanol em negociação com os EUA

O governo brasileiro reforçou que o etanol permanecerá fora das negociações comerciais com os Estados Unidos, mesmo durante as tratativas para evitar novas tarifas sobre produtos brasileiros. A posição foi defendida pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, que classificou o biocombustível como estratégico para a economia nacional.

Segundo o ministro, discutir apenas o etanol ignora a forte integração entre as cadeias de produção de açúcar e biocombustíveis. Ele lembrou ainda que o açúcar brasileiro enfrenta tarifas próximas de 100% para acessar o mercado norte-americano, o que, na avaliação do governo, impede uma negociação isolada sobre o combustível renovável.

Durante os encontros com representantes do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), o Brasil também identificou avanços em outro tema considerado prioritário: a cooperação bilateral no combate ao crime transnacional. Apesar disso, o governo afirma que pretende manter as negociações concentradas exclusivamente na questão tarifária.

Na audiência pública promovida pelo USTR, entidades do setor sucroenergético, como a UNICA, a UNEM e a CNA, reforçaram que a redução das importações brasileiras de etanol norte-americano decorre principalmente da rápida expansão da produção nacional de etanol de milho, e não da política tarifária brasileira.

As entidades defenderam ainda que Brasil e Estados Unidos, maiores produtores mundiais de etanol, concentrem esforços na ampliação do mercado global de biocombustíveis, em vez de ampliar disputas comerciais entre os dois países.

Fonte: Opinião em Pauta – Veja na íntegra aqui