O setor brasileiro de biocombustíveis poderá receber R$ 142 bilhões em investimentos entre 2027 e 2036, segundo projeções do Ministério de Minas e Energia (MME) e da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). As estimativas integram o Caderno de Biocombustíveis e Combustíveis Sintéticos do Plano Decenal de Expansão de Energia 2036 (PDE 2036), divulgado na última quinta-feira (29).
O estudo aponta crescimento da produção e do consumo de combustíveis renováveis, impulsionado pela expansão do mercado de etanol, pela demanda por biodiesel e pelo desenvolvimento de novas aplicações energéticas. Segundo a EPE, a oferta brasileira de etanol deverá crescer, em média, 2,5% ao ano, passando de 41,6 bilhões para 53,1 bilhões de litros em 2036.
A demanda total está projetada em 50,7 bilhões de litros ao final do período, considerando, no cenário do estudo, uma mistura de 30% de etanol anidro na gasolina. Além do consumo automotivo, o plano estima uma demanda de aproximadamente 3 bilhões de litros de etanol para produção de combustível sustentável de aviação (SAF), aplicações no transporte aquaviário e aviação agropecuária.
O documento também projeta exportações líquidas de 2,4 bilhões de litros e produção de 600 milhões de litros de etanol de segunda geração (E2G) em 2036. Para o biodiesel, o PDE 2036 estima consumo de 12,7 bilhões de litros em 2036, considerando a manutenção da mistura obrigatória de 15% no diesel comercializado.
Com a inclusão dos usos voluntários, a demanda total poderá alcançar 14,7 bilhões de litros, ampliando as oportunidades de comercialização do biocombustível em diferentes segmentos econômicos. As projeções indicam perspectivas de crescimento para a indústria brasileira, mas também reforçam a importância de investimentos em capacidade produtiva, logística, infraestrutura e desenvolvimento tecnológico.
O PDE 2036 permanece em consulta pública até 6 de novembro de 2026, período em que poderão ser apresentadas contribuições às estimativas e diretrizes do planejamento energético.
O cenário apresentado pela EPE aponta para uma expansão estrutural do mercado brasileiro de biocombustíveis na próxima década. O avanço do etanol e do biodiesel, associado a novas aplicações no transporte marítimo e na aviação, poderá ampliar a demanda por matérias-primas agrícolas e fortalecer a participação do agronegócio na transição energética.
Fonte: Canal Rural – Veja na íntegra aqui