
A possibilidade de restrições no mercado de fertilizantes começa a alterar o comportamento dos produtores e preocupa a indústria para a próxima safra. Em evento da Argus Media, realizado em São Paulo, representantes do setor relataram queda na demanda, pressão de custos e limitações na oferta, com agricultores cogitando reduzir ou até suspender a adubação.
A decisão no campo é influenciada pela piora na relação de troca. Ao mesmo tempo, surge uma preocupação inédita nas últimas décadas: além dos preços altos, há risco de indisponibilidade física de insumos, especialmente devido à escassez global de enxofre e ácido sulfúrico, fundamentais para a produção de fertilizantes fosfatados.
Esse cenário é agravado por fatores estruturais e geopolíticos, como a dependência da indústria de petróleo e gás — de onde vem o enxofre — e a concentração da oferta em regiões sensíveis, como o Oriente Médio. No Brasil, a situação se reflete nos custos e já impacta a produção, com paralisações pontuais de plantas industriais.
Outra variável são as limitações logísticas, além de aumento expressivo na necessidade de capital de giro. Segundo relatos do setor, operações que antes demandavam cerca de US$ 8 milhões podem hoje exigir até US$ 40 milhões, restringindo o acesso a crédito.
Do lado da demanda, produtores adotam uma postura mais cautelosa, adiando compras, migrando para insumos alternativos ou reduzindo a adubação — em alguns casos, com cortes de até 25% em aplicações de fosfato. Mesmo neste cenário, a expectativa é de manutenção ou até expansão da área plantada.
Fonte: CNN – Matéria na íntegra aqui