Mercado de açúcar volta a olhar para o risco climático global

O mercado de açúcar começa a enxergar um novo fator de sustentação para os preços: o clima. Apesar da forte oferta global continuar pressionando as cotações, a confirmação do El Niño pela NOAA e a revisão do balanço mundial pela Czarnikow reacenderam a atenção dos investidores.

A consultoria reduziu sua projeção para a safra 2026/27, passando de um excedente de 1,4 milhão de toneladas para um déficit praticamente equilibrado de apenas 10 mil toneladas. O principal motivo é a maior destinação de cana para a produção de etanol no Brasil, favorecida pela alta recente do petróleo.

O que está sustentando o mercado?

NOAA confirmou a formação do El Niño.
Há 63% de chance de o fenômeno atingir intensidade muito forte.
Índia já reduziu sua previsão de chuvas para o período de monções.
Petróleo mais valorizado favorece o etanol e reduz o potencial açucareiro das usinas.

O que continua pressionando os preços?

Produção de açúcar do Centro-Sul cresceu 55,3% em abril.
Maior qualidade da cana elevou o teor de sacarose.
Exportações da Tailândia avançaram 29% no acumulado do ano.

Para o setor sucroenergético, a principal mensagem é que o mercado começa a migrar o foco da oferta atual para os riscos climáticos do segundo semestre. Se o El Niño ganhar intensidade e afetar regiões produtoras como Índia, Tailândia e Brasil, o equilíbrio global pode se tornar mais apertado e favorecer uma recuperação das cotações do açúcar.

O mercado passa a monitorar três variáveis-chave:

Intensidade do El Niño nos próximos meses.
Comportamento do petróleo e do etanol.
Decisões das usinas sobre o mix entre açúcar e biocombustíveis.

Fonte: Notícias Agrícolas – Veja na íntegra aqui