Declínio do açúcar: consciência de consumo redefine preços

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O mercado global de consumo atravessa uma mudança de paradigma onde o valor de mercado migrou do açúcar para o bem-estar, diz nota do “Investing.com”. Atualmente, os preços dos contratos futuros de açúcar operam em mínimas dos últimos 5 anos (queda de mais de -19%), pressionados por um cenário de abundância produtiva, com safras recordes no Brasil atingindo a marca de 40,2 milhões de toneladas.

Contudo, essa desvalorização da commodity não é apenas uma questão de oferta elevada, mas sim um reflexo de uma rejeição estrutural por parte dos consumidores: cerca de 89% dos latino-americanos já veem as bebidas açucaradas de forma negativa.

Enquanto a matéria-prima se desvaloriza, o setor de produtos saudáveis apresenta uma trajetória oposta e explosiva. O mercado global de bebidas zero açúcar, avaliado em aproximadamente US$ 65,35 bilhões em 2024, deve mais que dobrar até 2032, impulsionado por uma taxa de crescimento anual superior a 11%. Esse fenômeno é liderado pela Geração Z, que prioriza a saúde e a sustentabilidade, forçando marcas tradicionais a substituírem seus produtos clássicos por alternativas sem calorias para evitar a queda na frequência de compra.

Nesse novo cenário, o comportamento do consumidor dita que a funcionalidade vale mais que o volume. Dessa forma, a tendência de preços do açúcar deve permanecer sob pressão diante de um superávit global projetado em milhões de toneladas para os próximos ciclos. Conclui-se que o distanciamento entre a queda nos preços do açúcar e a valorização das marcas de saúde não é uma anomalia temporária, mas sim a nova base do mercado de consumo.

Fonte: Investing.com