Economia hoje, perda amanhã? Corte de fertilizantes preocupa setor da cana

A pressão sobre as margens dos produtores de cana começa a gerar um novo sinal de alerta para o setor sucroenergético. Diante da combinação entre preços pressionados do açúcar e do etanol, aumento dos custos de produção e impactos da instabilidade geopolítica global, muitos fornecedores reduziram significativamente os investimentos em fertilização dos canaviais.

Segundo a Orplana, entidade que representa os produtores de cana-de-açúcar, há casos de redução de até 60% na aplicação de fertilizantes. Em algumas regiões, produtores também passaram a economizar na utilização de calcário, insumo fundamental para a correção da acidez do solo e manutenção da produtividade agrícola.

O movimento ocorre em um momento delicado para o setor. Com margens já negativas desde o início do ano e agravadas após o conflito no Oriente Médio, produtores buscam reduzir custos imediatos para preservar o caixa. No entanto, a estratégia pode gerar consequências importantes no médio prazo.

A menor reposição de nutrientes compromete o desenvolvimento dos canaviais e aumenta o risco de perdas produtivas nas safras 2027/28 e 2028/29. Entre os principais impactos esperados estão a redução do perfilamento das plantas, queda na produtividade por hectare, menor recuperação de açúcar (ATR) e pior brotação das soqueiras.

A preocupação já ultrapassa a porteira e chega às usinas, que começam a incorporar o risco de menor oferta de matéria-prima em suas projeções futuras. O cenário reforça como fatores econômicos e geopolíticos podem afetar diretamente o potencial produtivo da cana e a competitividade do setor sucroenergético nos próximos anos.

Mais do que uma decisão de curto prazo, a redução dos investimentos em fertilidade do solo pode se transformar em um dos principais desafios para a produtividade da cana no Brasil na próxima década.

fonte: CBN – Veja na íntegra aqui