
No Brasil, produtores implantaram o Sistema de Gotejo Enterrado em 23 e 250 hectares para aumentar a produtividade em até três vezes e economizar água, alcançando até 140 toneladas por hectare e chamando a atenção do setor agrícola
Uma tecnologia que já existe há mais de 20 anos no Brasil começou a ganhar espaço nas lavouras do Norte do Espírito Santo. O gotejamento subterrâneo, também chamado de Sistema de Gotejo Enterrado, passou a ser utilizado em plantações de café e cana de açúcar nas cidades de Linhares e Jaguaré, diz nota do “CPG”.
O que parecia apenas mais uma técnica de irrigação se transformou em um divisor de águas para produtores locais. A promessa é clara: colher mais, gastar menos água e reduzir custos operacionais.
Os primeiros resultados chamaram atenção. Em algumas áreas, a produtividade chegou a triplicar em comparação ao modelo tradicional.
Como funciona o Sistema de Gotejo Enterrado nas lavouras capixabas
O sistema é simples na teoria, mas estratégico na prática. Mangueiras são instaladas abaixo da superfície do solo, respeitando a profundidade ideal para cada cultura.
No café, por exemplo, a instalação só pode ocorrer quando a planta tem pelo menos 8 meses. Já na cana de açúcar, o sistema precisa ser implantado antes do plantio.
A água e os fertilizantes são aplicados diretamente na raiz. Isso reduz desperdício, melhora a absorção de nutrientes e diminui o crescimento de ervas daninhas.
O detalhe que mais chama atenção é a proteção das tubulações, que ficam enterradas e menos vulneráveis a danos causados por animais ou ferramentas.
Produtor investe em 23 hectares de café e vê redução de custos
Em Jaguaré, o produtor rural Ataydes Armani implantou o sistema há um ano em uma área de 23 hectares de café conilon. As mangueiras foram instaladas a 15 centímetros de profundidade.
Segundo ele, o impacto foi imediato. O custo de mão de obra diminuiu, principalmente em etapas como capina e colheita. Além disso, a durabilidade do equipamento aumentou.
Animado com os resultados, ele já planeja expandir a área irrigada para 46 hectares e prepara o solo para um novo plantio de 55 hectares, também com o sistema enterrado.
Agroindústria amplia projeto em 250 hectares de cana e triplica produtividade
Em Linhares, uma agroindústria implementou o sistema em 2023 em uma área de 250 hectares de cana de açúcar.
A água é captada, purificada, recebe fertilizantes e é distribuída de forma uniforme por todo o canavial. O resultado surpreendeu.
A produtividade média saltou de 40 toneladas por hectare para 120 toneladas por hectare, mesmo com colheita antecipada. Para este ano, a expectativa é atingir pelo menos 140 toneladas por hectare.
O ganho foi de três a quatro vezes em comparação ao processo natural de plantio e adubação. Além da quantidade, a qualidade da cana também melhorou.
Economia de água e adaptação ao clima tropical impulsionam adesão
O sistema reduz a demanda hídrica ao aplicar água e nutrição de forma mais regular e controlada.
Por estar enterrado, o equipamento sofre menos avarias, o que garante maior eficiência ao longo do tempo. Isso é especialmente importante em regiões de clima tropical e em culturas de alto valor agregado.
Com os resultados positivos tanto no café quanto na cana de açúcar, os produtores já planejam ampliar as áreas irrigadas ainda este ano.
O avanço do gotejamento subterrâneo no Norte do Espírito Santo mostra como tecnologia e gestão podem transformar a produtividade no campo. A combinação de economia de água, aumento de rendimento e redução de custos coloca a técnica como uma das mais promissoras para o agronegócio regional.
Você acredita que o gotejamento subterrâneo pode se tornar padrão nas lavouras brasileiras nos próximos anos? Deixe sua opinião nos comentários.
Fonte: CPG