Trump mira etanol brasileiro e setor teme pressão sobre tarifas

A possível flexibilização das tarifas de importação do etanol americano entrou no radar do setor sucroenergético brasileiro após a confirmação de uma reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. O temor do mercado é que os Estados Unidos pressionem o Brasil a reduzir a atual tarifa de 18% sobre o etanol importado, ampliando ainda mais a entrada do biocombustível de milho norte-americano no país.

O cenário ocorre em um momento estratégico para os EUA, maior produtor global de etanol de milho, que enfrenta excesso de oferta e dificuldades para ampliar exportações em meio à guerra comercial internacional. Mesmo com a tarifa vigente, as exportações americanas ao Brasil devem crescer 160% na safra 2025/26, impulsionadas principalmente pelo aumento da mistura de etanol na gasolina brasileira, agora em 30%.

Uma eventual redução tarifária pode provocar uma “invasão” do etanol americano no Nordeste, região deficitária em oferta e mais próxima logisticamente dos portos dos Estados Unidos. Isso pressionaria os preços internos e reduziria a competitividade do etanol produzido no Centro-Sul, além de afetar o fluxo anual de cerca de 1 bilhão de litros transferidos para Norte e Nordeste.

Outro fator que favorece o produto americano é o preço: o etanol importado chega às regiões Norte e Nordeste entre 12% e 15% mais barato que o nacional. O movimento ocorre em paralelo à expansão global das exportações dos EUA, que bateram recorde em 2024, atingindo US$ 7,5 bilhões.

Além das tarifas, o encontro entre Lula e Trump também pode reacender as discussões sobre a participação de produtores americanos no RenovaBio, principal política brasileira de descarbonização dos combustíveis. O tema já havia sido sinalizado pelo governo brasileiro no ano passado como parte das negociações comerciais bilaterais.

Para o setor sucroenergético nacional, o debate envolve não apenas comércio exterior, mas também competitividade, segurança de abastecimento e impacto direto sobre os preços do etanol no mercado brasileiro.

Fonte: EXAME – Veja a matéria na íntegra aqui