O ponto central permanece: o Brasil segue altamente dependente do mercado internacional. Mesmo com a volta da Araucária Nitrogenados (Ansa), a produção adicional — cerca de 720 mil toneladas/ano — cobre apenas uma fração da demanda nacional de ureia. Na prática, o país continua exposto a três vetores de risco: volatilidade cambial, preço internacional do gás natural, choques geopolíticos (como o observado na guerra Rússia–Ucrânia).
O que muda com a reativação?
A retomada da planta sinaliza uma inflexão estratégica clara. Após anos priorizando importações, o Brasil volta a olhar para a produção doméstica como ferramenta de segurança de abastecimento. Os ganhos são objetivos: redução de custos logísticos, especialmente para regiões consumidoras do Sul e Centro-Sul, maior previsibilidade de oferta, reduzindo riscos de ruptura, capacidade de reação em momentos de crise internacional. Além disso, a produção de amônia e Arla 32 amplia o impacto da unidade para além do agro, conectando também com a agenda ambiental e logística.
Escala ainda é o gargalo
Mesmo somando outras unidades na Bahia e Sergipe, a projeção de atingir cerca de 20% do mercado nacional ainda deixa o país longe da autossuficiência. O cenário mais otimista — com a entrada de uma nova planta em Mato Grosso do Sul — pode levar essa participação a aproximadamente 35%. Ainda assim, o Brasil permaneceria estruturalmente importador.
O fator crítico: gás natural
O custo de produção da ureia é fortemente dependente do gás natural. Sem competitividade nesse insumo:
• a produção nacional perde margem frente ao produto importado
• a expansão industrial tende a ser limitada
• o impacto no preço final ao produtor fica diluído
Ou seja, a reindustrialização do setor de fertilizantes passa, necessariamente, por uma equação energética.
Do ponto de vista do campo, a mensagem é pragmática:
• curto prazo: pouca mudança no custo da adubação
• médio prazo: melhora gradual na segurança de abastecimento
• longo prazo: possível redução de vulnerabilidade, se houver escala e competitividade energética
Fonte: Pensar Agro – Veja a matéria na integra aqui