Preços do petróleo e derivados disparam na semana

DE OLHO NO BIODIESEL BOLETIM SEMANAL DE MERCADO DA SCA BRASIL 02 a 06/03/2026

O principal destaque nos mercados globais ao longo da semana foi a forte valorização do petróleo e de seus derivados, impulsionada pela escalada do conflito no Oriente Médio e pelos impactos dos ataques ao Irã. O agravamento das tensões elevou os riscos de interrupção na oferta global de energia, levando o Brent a operar próximo de US$ 90 por barril e superar a marca dos US$ 100 no início da semana seguinte. O movimento ocorreu após uma sequência de ataques a navios e instalações energéticas no Golfo Pérsico, além de novos episódios de instabilidade no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passam cerca de 15 milhões de barris de petróleo por dia.

Diante desse cenário, governos e empresas passaram a buscar alternativas para mitigar eventuais disrupções no abastecimento. Os Estados Unidos autorizaram temporariamente a compra de petróleo russo por países asiáticos, especialmente pela Índia, enquanto a Arábia Saudita tenta redirecionar parte de suas exportações para portos no Mar Vermelho por meio do oleoduto Leste-Oeste. Ainda assim, o mercado avalia que essas medidas são insuficientes para compensar plenamente os volumes normalmente escoados pelo Estreito de Ormuz, mantendo o petróleo e derivados sob forte pressão altista.

No Brasil, as projeções para a safra de soja 2025-2026 seguem apontando para um novo recorde. A Agroconsult revisou sua estimativa para 183,1 milhões de toneladas, alta de 6,4% em relação à safra anterior. Já a AgRural mantém uma visão mais conservadora, projetando 178 milhões de toneladas, após reduzir sua estimativa em função das perdas provocadas pela estiagem no Rio Grande do Sul. Parte dessas perdas foi compensada por produtividades superiores ao esperado em estados como Mato Grosso.

Em relação ao andamento da colheita, dados da Agroconsult indicam que os trabalhos alcançavam cerca de 44% da área plantada até o fim de fevereiro, ritmo inferior ao observado no mesmo período do ano passado (52%). O atraso está associado principalmente ao excesso de chuvas em importantes regiões produtoras. Ainda assim, as avaliações de campo do Rally da Safra indicam bom potencial produtivo em grande parte do país, com estimativas superiores a 62 sacas por hectare em diversos estados. O Rio Grande do Sul permanece como principal foco de perdas devido à irregularidade das chuvas.

No mercado internacional de óleos vegetais, o óleo de soja registrou forte valorização ao longo da semana, impulsionado pela alta do petróleo e pelas expectativas em torno da definição das metas de biocombustíveis (RVOs) nos Estados Unidos. Esse movimento levou o contrato mais ativo a se aproximar de US¢ 66/lb, acumulando valorização semanal próxima de 7%.

Apesar do viés altista, alguns fundamentos limitaram avanços mais expressivos. Dados do USDA indicaram aumento da produção e do esmagamento de soja nos Estados Unidos, elevando os estoques de óleo para o maior nível desde maio de 2023. O resultado reflete uma demanda doméstica ainda moderada, especialmente no segmento de biocombustíveis. No Brasil, o basis em Paranaguá permaneceu pressionado, atingindo o nível mais negativo desde 2023 devido à ampla oferta associada à colheita da nova safra, cenário que tende a favorecer as exportações no curto prazo.

O óleo de palma também registrou valorização na semana, acompanhando o movimento de alta observado no óleo de soja e no petróleo. O contrato contínuo atingiu US$ 1.107/t, o maior patamar desde dezembro de 2024. Apesar disso, os fundamentos seguem relativamente confortáveis, uma vez que estimativas preliminares apontam para estoques elevados na Malásia, mesmo com a retração sazonal da produção. Ao mesmo tempo, a recuperação das importações da Índia, favorecida pelo desconto da palma em relação a outros óleos vegetais, tem contribuído para sustentar a demanda global.

O contrato de maio/2026 do óleo de soja negociado na Bolsa de Chicago (CBOT, na sigla em inglês) encerrou em 66,58 cents/libra na sexta-feira (06/03), apresentando valorização de 7,65% na semana. No entanto, o prêmio de abril/2026 do óleo de soja FOB Paranaguá caiu fortemente, compensando a subida no mercado internacional, fechando a semana em -17,00 cents/lb. Dessa forma, o flat price do óleo de soja FOB Paranaguá fechou em US$ 1.093,05/ton, desvalorização de 0,54% em relação à semana anterior.

Elaboração: SCA Brasil

No mercado doméstico, as distribuidoras contrataram cerca de 1,7 milhão de m³ de biodiesel para atender à demanda do B15 nos meses de março e abril, segundo dados da ANP. O volume representa o segundo maior já negociado para um único bimestre e superou em 31,2% a meta mínima estabelecida pela agência, indicando maior dinamismo do mercado após um primeiro bimestre mais fraco.

O mercado spot apresentou uma semana com boa liquidez, no levantamento realizado pela SCA Brasil, foi apurado um volume de 6.840 m³, com destaques dos estados do PR e MT. O preço médio foi de R$ 5.025/m³, com PIS/COFINS e sem ICMS, uma redução de R$362 em relação à semana anterior.

Elaboração: SCA Brasil

Já as vendas de óleo diesel no Brasil totalizaram cerca de 5,2 milhões de m³ em janeiro de 2026, queda de 3,3% frente ao mesmo período do ano anterior, segundo dados da ANP. Apesar da retração, o volume ainda representa o segundo melhor início de ano da série histórica, ficando atrás apenas de janeiro de 2025. As maiores reduções foram observadas nas regiões Sudeste (-5,7%) e Sul (-9%).

Segundo o levantamento realizado entre 23/02 e 01/03 pela ANP, o preço médio do biodiesel negociado entre usinas e distribuidores ficou em R$ 5.488,10, valorização de 1,68% em relação ao valor médio da semana anterior. A região Centro-Oeste apresentou a maior valorização com 1,33% e a região Sudeste apresentou a maior desvalorização com 2,54%. O mercado acumula uma redução de 7,34% no ano.

Elaboração: SCA Brasil