Palma ganha espaço no biodiesel, mas SAF ainda é desafio

O avanço das discussões sobre aumento da mistura de biodiesel no diesel voltou a colocar o óleo de palma no radar da transição energética brasileira.A avaliação do setor é que a palma pode ampliar participação no biodiesel nos próximos anos, mas enfrenta dificuldades para competir no mercado emergente de novos biocombustíveis, como diesel verde e SAF (combustível sustentável de aviação).

Palma pode ganhar força no biodiesel

Segundo Victor Almeida, presidente da Abrapalma, o óleo de palma possui vantagens importantes sobre outras matérias-primas. Hoje, a soja responde por mais de 70% do biodiesel e a palma representa cerca de 5%. Já, o sebo bovino varia entre 5% e 10%. Mas o setor acredita que misturas maiores de biodiesel dependerão da ampliação do uso da palma.

O principal diferencial está na produtividade:um hectare de dendê produz até oito vezes mais óleo que um hectare de soja. Além disso, praticamente todo o material da palma é aproveitado. Resíduos retornam ao campo como adubo, há menor geração de coprodutos com pressão sobre preços e competição no SAF é mais difícil. Apesar do potencial no biodiesel, a avaliação da Abrapalma é que a entrada no mercado do diesel verde, SAF e novos combustíveis avançados será mais complexa.

O motivo principal é o avanço do modelo de coprocessamento adotado pela Petrobras, que utiliza óleos vegetais junto ao petróleo em refinarias já existentes. Segundo o setor, esse modelo reduz fortemente os investimentos necessários quando comparado à construção de novas biorrefinarias. Outro desafio apontado é econômico, atualmente a indústria de alimentos paga mais pelo óleo de palma do que o setor de biodiesel. Isso reduz o direcionamento do produto para os biocombustíveis.

Fonte: Globo Rural – Veja a matéria na íntegra aqui