OIA projeta déficit global de açúcar

O mercado mundial de açúcar deve voltar ao déficit na safra 2026/27, em um cenário de aumento do consumo e maior incerteza climática. Segundo a atualização de agosto da Organização Internacional do Açúcar (OIA), o balanço global deve passar de superávit de 1,1 milhão de toneladas em 2025/26 para déficit de 200 mil toneladas no próximo ciclo.

A entidade reduziu pela metade sua estimativa de superávit para 2025/26, que em maio estava em 2,2 milhões de toneladas. Para 2026/27, o consumo mundial deverá alcançar 180,4 milhões de toneladas, aumento de 800 mil toneladas.

Mesmo com o déficit entre produção e consumo, a OIA calcula um excedente comercial de 1,3 milhão de toneladas entre outubro de 2026 e setembro de 2027, considerando a utilização de estoques. Uma eventual deterioração da produção, porém, poderá rapidamente ampliar o déficit e oferecer sustentação adicional às cotações.

El Niño coloca produção brasileira no radar

Os preços mais elevados do açúcar podem incentivar as usinas brasileiras a aumentar o mix açucareiro, elevando a parcela da cana destinada ao adoçante. O principal fator de risco para esse cenário é o El Niño, que pode alterar as condições de colheita, moagem e produtividade nos principais países produtores.

A preocupação ganha relevância porque qualquer redução adicional na oferta ocorreria em um mercado global praticamente equilibrado, aumentando a sensibilidade dos preços às mudanças climáticas.

OIA eleva etanol brasileiro para 38,3 bilhões de litros

No etanol, a OIA revisou para cima a projeção brasileira para 38,3 bilhões de litros em 2026, acréscimo de 1,76 bilhão de litros frente à estimativa anterior. A revisão reflete um mix de produção mais direcionado ao biocombustível.

A entrada em vigor do E32 em 1º de agosto também fortalece a demanda estrutural. Segundo a entidade, o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina para 32% deverá adicionar aproximadamente 1 bilhão de litros por ano ao consumo doméstico.

Globalmente, a demanda por etanol combustível é estimada em 127 bilhões de litros, crescimento de 3,6%, com excedente projetado de 3,1 bilhões de litros.

Na Índia, em sentido contrário, a previsão de produção foi reduzida em 750 milhões de litros, para 11,3 bilhões, devido às limitações relacionadas ao mandato de mistura.

O cenário da OIA reforça a crescente conexão entre os mercados de açúcar e etanol: com um balanço global do adoçante mais apertado e maior demanda brasileira pelo biocombustível, clima, preços relativos e decisões de mix das usinas serão determinantes para a oferta em 2026/27.

Fonte: Uol – Veja na íntegra aqui