Os preços elevados dos fertilizantes e as margens apertadas dos produtores continuam limitando a recuperação da demanda global, mesmo após a queda das cotações frente aos picos registrados durante a escalada do conflito no Oriente Médio. A avaliação consta no relatório semestral do Rabobank para o segundo semestre de 2026.
No Brasil, o cenário levou o banco a reduzir sua projeção de entregas de fertilizantes de 47 milhões para 45,1 milhões de toneladas em 2026, abaixo do recorde de 49,1 milhões registrado em 2025. Uma nova revisão negativa não está descartada caso persistam as restrições de oferta e a volatilidade internacional.
O principal problema continua sendo a affordability, relação entre o custo dos fertilizantes e a receita proporcionada pelas commodities agrícolas. Apesar da melhora desde abril, o indicador global permanece em território considerado desfavorável aos produtores.
Ureia preocupa para a safrinha de 2027
O ajuste já aparece nas compras brasileiras. No primeiro semestre, as importações de ureia caíram 31%, enquanto o volume de nitrogênio, medido em base nutriente, recuou cerca de 22%.
A situação exige atenção porque a ureia será fundamental para a safrinha de milho de 2027. A melhora recente das relações de troca pode estimular uma aceleração das compras nos próximos meses, mas o Rabobank alerta que o atraso acumulado ainda representa risco para o abastecimento.
Nos fosfatados, a pressão é ainda maior. As importações brasileiras de MAP recuaram 24%, parcialmente compensadas pelo crescimento de aproximadamente 40% nas compras de superfosfato triplo (TSP).
Com os preços internacionais dos fosfatados ainda elevados, o banco avalia que produtores poderão recorrer novamente ao estoque de fósforo acumulado no solo, reduzindo aplicações, estratégia semelhante à observada em 2022.
O potássio apresenta situação mais confortável. As importações cresceram 6% no primeiro semestre, favorecidas por preços mais estáveis e maior disponibilidade internacional.
Demanda mundial também deve recuar
A perda de poder de compra não está restrita ao Brasil. O Rabobank projeta queda de aproximadamente 5% na demanda global por ureia em 2026, depois de as importações mundiais entre janeiro e julho ficarem cerca de 20% abaixo do ano anterior.
Para os fosfatados, a retração pode ser ainda mais prolongada: o banco estima queda de 7% na demanda em 2026 e de outros 5% em 2027, em meio à oferta limitada de enxofre e aos custos elevados de produção.
Com produtores brasileiros ainda enfrentando restrições financeiras, inadimplência elevada e margens comprimidas, a tendência é de manutenção da cautela nas compras. O comportamento dos preços internacionais, a recuperação das relações de troca e o ritmo de recomposição dos estoques serão decisivos para o abastecimento da safra 2026/27 e, principalmente, do milho safrinha de 2027.
Fonte CNN Brasil – Veja na íntegra aqui