Soja deve parar de expandir área pela 1ª vez em mais de 20 anos

O ciclo de expansão da soja brasileira pode chegar a um ponto de inflexão na safra 2026/27. Pela primeira vez em mais de duas décadas, a área plantada deverá deixar de crescer, refletindo um cenário de margens comprimidas, crédito mais caro e maior incerteza no mercado de insumos.

A projeção é do Rabobank, que prevê estabilidade na área cultivada após cerca de 25 anos de crescimento contínuo, período em que o Brasil ampliou sua participação na produção mundial de soja de 28% para 42% e alcançou 49 milhões de hectares na safra 2025/26.

Apesar da interrupção da expansão territorial, o banco não projeta retração da cultura. A produção brasileira é estimada em 178 milhões de toneladas na safra 2026/27, volume 2,1% inferior ao recorde da temporada anterior, mas ainda suficiente para manter o país entre os principais fornecedores globais. Na avaliação da instituição, essa redução poderá contribuir para um equilíbrio maior entre oferta e demanda mundial, oferecendo suporte moderado aos preços da commodity.

O Rabobank destaca que o ambiente financeiro mais restritivo também começa a influenciar o mercado de terras, com maior oferta de áreas para venda e arrendamento. Esse movimento tende a reduzir a conversão de novas pastagens em lavouras e direcionar o crescimento do setor para a otimização de áreas já abertas, com foco em ganhos de produtividade, eficiência operacional e sistemas de dupla safra.

Além do cenário econômico, o banco alerta para riscos adicionais, como os possíveis impactos do El Niño sobre a produtividade, especialmente no Centro-Oeste, e a volatilidade dos preços dos fertilizantes decorrente das tensões geopolíticas. O conjunto desses fatores reforça uma mudança estrutural no agronegócio brasileiro, em que o crescimento da produção dependerá cada vez mais da tecnologia e da eficiência, e menos da expansão da fronteira agrícola.

Fonte: The Agribiz – Veja na íntegra aqui