A Índia voltou ao mercado internacional de açúcar. O governo autorizou a importação, sem tarifas, de 1 milhão de toneladas para a safra 2025/26, com entregas até 31 de outubro de 2026. A decisão ocorre diante da forte alta dos preços domésticos e de estoques considerados apertados.
Segundo a StoneX, em Kolhapur, importante região produtora de Maharashtra, o açúcar acumulou valorização de 56% desde o início das monções, passando de cerca de 4.100 para 6.400 rúpias por quintal.
Os estoques de passagem começaram a temporada próximos de 4,9 milhões de toneladas, equivalentes a apenas dois meses de consumo. Sem importações, poderiam chegar ao fim de setembro em aproximadamente 4 milhões de toneladas, justamente antes de um período de forte demanda interna associado aos festivais indianos.
Brasil ganha espaço para atender nova demanda
A confirmação das compras teve reação imediata em Nova York. O açúcar bruto chegou a 18 cents de dólar por libra-peso, maior nível desde abril de 2025, enquanto o contrato março/27 se aproximou de 19 cents.
O Brasil aparece como fornecedor competitivo. Pelos cálculos da StoneX, o açúcar indiano está próximo de US$ 615 por tonelada, enquanto o VHP embarcado em Santos poderia chegar à Índia por cerca de US$ 430 a US$ 450 por tonelada, líquidos de impostos.
A janela logística, porém, é curta: uma carga brasileira pode levar aproximadamente dois meses para alcançar os portos do oeste indiano, aumentando a necessidade de definição rápida das compras.
Oferta global mantém mercado em alerta
A Índia não é a única fonte de preocupação. As monções indianas seguem mais de 10% abaixo da média, a Tailândia enfrenta perspectivas de menor produção em 2026/27 e a União Europeia sofre com seca e temperaturas elevadas, cenário que pode aumentar suas importações no próximo ano.
No Brasil, o mercado acompanha o mix das usinas e o clima no Centro-Sul. Os atuais preços internacionais incentivam maior direcionamento da cana para açúcar entre agosto e outubro. Por outro lado, chuvas acima da média no final da safra poderiam prejudicar a colheita e limitar a produção.
A disponibilidade brasileira ajuda a conter, por enquanto, uma escalada mais intensa. Depois de tocar 18 cents, o açúcar voltou rapidamente para a faixa de 17,60 a 17,70 cents por libra-peso.
O mercado também monitora os fundos especulativos, que ainda carregam uma expressiva posição líquida vendida. Uma eventual recompra dessas posições, combinada à demanda concreta da Índia, poderia ampliar a volatilidade e sustentar novas altas.
Com isso, os contratos de outubro de 2026 e março de 2027 ganham atenção. A direção dos preços dependerá agora do equilíbrio entre as compras indianas, a capacidade brasileira de ampliar a oferta e a evolução das safras na Índia, Tailândia, Europa e Centro-Sul do Brasil.
Fonte: Notícias Agrícolas -Veja na íntegra aqui