Enquanto a Indonésia avança com uma mistura elevada de biodiesel no diesel, o Brasil mantém o B15 e conduz testes para validar percentuais de até B25. A diferença levanta uma questão no setor: por que o país ainda precisa testar misturas menores?
Segundo Lorena Mendes, diretora do Departamento de Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia (MME), a resposta está nas particularidades brasileiras. O país utiliza diferentes matérias-primas, principalmente óleo de soja e sebo bovino, e possui condições climáticas, logísticas e operacionais distintas das encontradas na Indonésia, onde predomina o biodiesel de óleo de palma.
Por isso, o governo considera necessário avaliar o comportamento das misturas nas condições brasileiras antes de ampliar o mandato obrigatório. O Programa Nacional de Testes de Biodiesel analisa inicialmente o B16 ao B20 e, posteriormente, o B21 ao B25. Os ensaios seguem até fevereiro de 2027, quando o MME espera ter uma primeira avaliação sobre a viabilidade técnica do B20 e eventuais ajustes regulatórios ou de especificação.
A indústria, porém, defende maior velocidade. Para Irineu Boff, presidente do Conselho Superior da Ubrabio, resultados parciais poderiam dar respaldo para o avanço ao B16 ou B17 antes da conclusão integral dos testes. O setor argumenta que uma trajetória previsível de aumento da mistura é fundamental para destravar novos investimentos em capacidade produtiva.
A discussão também envolve segurança energética. Segundo Donizete Tokarski, presidente da Ubrabio, o Brasil importa mais de 25% do diesel que consome, enquanto a indústria nacional de biodiesel teria condições de ampliar a produção e substituir parte desse combustível fóssil.
Mais do que uma comparação entre B15 e B50, portanto, o debate envolve segurança técnica, diversidade de matérias-primas, logística, redução das importações de diesel e previsibilidade regulatória. O resultado dos testes deverá ser determinante para definir a velocidade com que o biodiesel poderá ganhar espaço na matriz brasileira.
Fonte: Notícias Agrícolas – Veja na íntegra aqui