Fertilizantes devem seguir caros até 2028

Os preços internacionais dos fertilizantes devem permanecer em patamares elevados nos próximos anos. Segundo relatório da CoBank, restrições de oferta, tensões geopolíticas e gargalos logísticos podem manter o mercado pressionado até 2027, com reflexos que podem avançar por 2028.

Um dos principais focos de risco está no Oriente Médio. A região fornece mais de 60 milhões de toneladas de fertilizantes e matérias-primas por ano, das quais cerca de 45 milhões passam pelo Estreito de Ormuz. Qualquer interrupção nessa rota pode afetar rapidamente disponibilidade, fretes e preços.

A exposição é especialmente relevante para os nitrogenados e fosfatados. O Oriente Médio responde por mais de 30% das exportações mundiais de ureia e cerca de metade do enxofre comercializado globalmente. Paralisações de plantas de amônia e dificuldades no fornecimento de matérias-primas já aumentam a pressão sobre a cadeia.

Fosfatados enfrentam oferta ainda mais apertada

O mercado de fosfatados, que já operava com disponibilidade limitada, enfrenta custos maiores de enxofre e amônia. A situação é agravada pela política comercial da China, maior produtora mundial de fertilizantes fosfatados, que suspendeu temporariamente suas exportações.

Com insumos mais caros, produtores começam a rever estratégias de adubação. Nos Estados Unidos, agricultores têm ampliado o uso de análises de solo, aplicação em taxa variável e agricultura de precisão, buscando maior eficiência no uso dos fertilizantes.

Em alguns casos, as doses de fósforo e potássio foram reduzidas entre 10% e 15%, enquanto o nitrogênio tem sido relativamente preservado por seu impacto mais direto sobre a produtividade.

O cenário reforça a necessidade de atenção também no Brasil, altamente dependente das importações. Mais do que buscar o menor preço, planejamento de compras, disponibilidade física, logística e gestão de risco tendem a ganhar peso nas decisões de aquisição de fertilizantes.

Fonte: Agrolink – Veja na íntegra aqui