El Niño e fundos especulativos ampliam volatilidade do açúcar no mercado internacional

O mercado internacional de açúcar atravessa um período de forte volatilidade, impulsionado pelos efeitos do El Niño, pela movimentação dos fundos especulativos e pelas incertezas sobre a produção nas principais regiões produtoras. O cenário foi debatido durante a 26ª Conferência Internacional DATAGRO sobre Açúcar e Etanol, realizada em São Paulo.

Segundo Jeremy Austin, diretor-geral da Sucden Brasil, os fundos especulativos passaram de uma posição vendida de aproximadamente 100 mil contratos para uma posição comprada de 120 mil contratos, movimento que contribuiu para intensificar as oscilações das cotações internacionais.

Além dos fatores financeiros, o excesso de chuvas associado ao El Niño tem prejudicado a colheita e a moagem da cana-de-açúcar no Centro-Sul brasileiro, aumentando as incertezas sobre a disponibilidade de matéria-prima e o encerramento da safra 2026/27.

Mario de Rezende Barbosa, diretor de estratégia da LDC, destacou que o comportamento dos preços passou a refletir não apenas os fundamentos de oferta e demanda do açúcar, mas também fatores macroeconômicos e o interesse dos investidores por commodities.

Nesse ambiente, as usinas avaliam estratégias para maximizar a produção de açúcar. Entretanto, a capacidade de direcionar mais cana para o produto dependerá das condições climáticas, da qualidade da matéria-prima e da eficiência operacional das unidades.

Paulo Garcia, CEO da Vital Commodities, demonstrou cautela quanto à possibilidade de antecipação da moagem para março de 2027. Segundo o executivo, o calendário de manutenção industrial e a disponibilidade de prestadores de serviços durante a entressafra podem dificultar o início antecipado das operações.

Menor oferta na Índia e Europa aumenta atenção do mercado

No cenário internacional, as revisões para baixo nas estimativas de produção da Índia e da Europa acrescentam incertezas ao balanço global de açúcar. A redução da área cultivada na Europa e o ritmo mais lento dos embarques indianos podem limitar a disponibilidade do produto no comércio internacional, dependendo da evolução das safras e da demanda.

Para os próximos meses, o mercado seguirá atento à intensidade do El Niño, ao posicionamento dos fundos e à capacidade das usinas brasileiras de concluir a moagem. A combinação desses fatores poderá manter elevada a volatilidade dos preços internacionais do açúcar e influenciar as decisões comerciais do setor sucroenergético.

Fonte: Notícias Agrícolas – Veja na íntegra aqui