
O aumento da mistura de etanol na gasolina para 32% (E32) deve ter impacto limitado no mercado, segundo análise do Bradesco BBI. A medida pode gerar uma demanda adicional de cerca de 1,1 bilhão de litros por ano, elevando o consumo total para aproximadamente 15,6 bilhões de litros. Ainda assim, esse incremento é insuficiente diante do forte crescimento da oferta previsto para a safra 2026/27.
A produção de etanol deve avançar, impulsionada principalmente pelo etanol de milho, com aumento estimado de 2 bilhões de litros, além da maior moagem de cana no Centro-Sul, projetada em 640 milhões de toneladas (+5%), que pode adicionar mais 1,2 bilhão de litros. Soma-se a isso a mudança no mix das usinas, que tendem a priorizar o biocombustível — favorecido por um prêmio de 2% sobre o açúcar —, o que pode elevar a produção total em até 4,6 bilhões de litros na comparação com a safra anterior.
Para absorver esse volume adicional, o consumo de etanol hidratado precisaria atingir 39,6 bilhões de litros, um aumento de 4,3 bilhões, levando a uma participação recorde de 43,1% no consumo do ciclo Otto. Nesse cenário, o consumo de gasolina tipo A poderia cair cerca de 2 bilhões de litros, volume equivalente às importações médias dos últimos anos, o que abriria caminho para a autossuficiência do país nesse segmento.
No entanto, esse ajuste depende de preços mais competitivos nas bombas. A paridade do etanol, segundo o Bradesco BBI, já está em torno de 64% em relação à gasolina — abaixo do nível de 70% que favorece sua competitividade — e pode cair ainda mais com o avanço da oferta. Isso tende a estimular o consumo, mas ao custo de margens mais apertadas para as usinas.
Diante desse quadro, a safra 2026/27 deve ser desafiadora para o setor sucroenergético. Mesmo com maior produtividade e diluição de custos fixos, os preços baixos do etanol devem limitar a rentabilidade, reforçando uma visão cautelosa para o desempenho das empresas no curto prazo.
Fonte: The AgriBiz – Veja a matéria na íntegra aqui