Açúcar sobe 20% e clima aumenta incerteza sobre safra brasileira

Os preços internacionais do açúcar ganharam força em agosto, sustentados pela menor produção no Centro-Sul do Brasil, pelas incertezas climáticas e pelos riscos para a safra indiana. Segundo o AgroInfo 2026, do RaboResearch/Rabobank, o contrato de outubro chegou a 17,5 cents/lb em Nova York, acumulando valorização próxima de 20% em dólar e 23% em reais frente à média dos três meses anteriores.

No Brasil, a produção de açúcar do Centro-Sul somou 16,9 milhões de toneladas até julho, ante 19,2 milhões no mesmo período da safra passada. Além do ritmo mais lento de moagem, as usinas direcionaram uma parcela maior da cana para o etanol: o mix açucareiro ficou entre 42,5% e 44% nos primeiros meses da temporada.

Para repetir as 40,4 milhões de toneladas produzidas em 2025/26, o Rabobank calcula que seria necessário destinar aproximadamente 53% da cana ao açúcar no restante da safra, considerando moagem de 640 milhões de toneladas. Por isso, o banco considera praticamente certa uma redução da produção em 2026/27 — a dúvida está na intensidade da queda.
A recente valorização do açúcar, entretanto, pode estimular as usinas a reverter parcialmente o mix em favor do adoçante, principalmente diante das oportunidades de fixação de preços. O movimento poderá limitar a oferta de etanol, cujas cotações também começaram a reagir em agosto após meses de forte competitividade frente à gasolina.

O clima será decisivo para o fechamento da temporada. O mercado começou a incorporar um prêmio climático relacionado ao El Niño, diante do risco de chuvas acima da média no Centro-Sul. Precipitações frequentes podem interromper a colheita, dificultar o processamento de toda a cana disponível e ainda reduzir o ATR, afetando o rendimento industrial.

No mercado internacional, a Índia adiciona outro componente de incerteza. O país autorizou a importação de 1 milhão de toneladas de açúcar, enquanto as chuvas de monção abaixo da média aumentam as preocupações com sua próxima safra.
Com oferta brasileira menor, dúvidas sobre a produção indiana e maior risco climático, o Rabobank projeta uma segunda metade da safra marcada por maior volatilidade nos mercados de açúcar e etanol. Para as usinas, preços relativos, clima e capacidade de moagem serão determinantes na decisão sobre o mix de produção.

Fonte: Portal do Agronegócio – Veja na íntegra aqui