A safra 2026/27 avança com uma mudança relevante no mix das usinas do Centro-Sul. Enquanto a moagem acumulada de cana-de-açúcar cresceu 2,1% até o fim de julho, a produção de açúcar caiu 12,4% e a de etanol avançou 16%, indicando maior direcionamento da indústria para o biocombustível.
Os dados são do Sistema de Acompanhamento da Produção Canavieira, do Ministério da Agricultura, com informações fornecidas pelos produtores.
Na segunda quinzena de julho, foram processadas 46,08 milhões de toneladas de cana, queda de 8,4% frente ao mesmo período de 2025. A fabricação de açúcar recuou ainda mais, 17,6%, para cerca de 3 milhões de toneladas.
O etanol seguiu na direção oposta. A produção alcançou aproximadamente 2,39 bilhões de litros na quinzena, crescimento de 2,8% na comparação anual, mesmo diante da menor moagem de cana.
Etanol ganha espaço no mix
No acumulado da safra até julho, o Centro-Sul processou 313,21 milhões de toneladas de cana, 2,1% acima do ciclo anterior. Apesar da maior disponibilidade de matéria-prima, a produção de açúcar recuou para 16,92 milhões de toneladas, queda de 12,4%.
Já a fabricação de etanol atingiu 16,34 bilhões de litros, avanço de 16%. Além do maior direcionamento da cana ao combustível, a expansão do etanol de milho contribui para sustentar o crescimento da oferta e reduzir a sazonalidade da produção brasileira.
A mudança no mix ocorre em um cenário de menor atratividade do açúcar, levando unidades com flexibilidade industrial a favorecer o biocombustível. Preços internacionais do adoçante, câmbio, remuneração do etanol, demanda doméstica e contratos comerciais estão entre os fatores considerados pelas usinas nessa decisão.
Estoques de etanol sobem 28%
O crescimento da produção também se refletiu nos estoques. Em 31 de julho, as unidades do Centro-Sul armazenavam aproximadamente 5,79 bilhões de litros de etanol, 28,2% acima do registrado um ano antes.
O volume adiciona atenção à trajetória dos preços nos próximos meses, que dependerá também do consumo de combustíveis e da competitividade do etanol hidratado frente à gasolina.
Para o açúcar, a retração da produção brasileira permanece no radar do mercado internacional. Como o país ocupa posição central nas exportações globais, a continuidade de um mix mais alcooleiro pode influenciar as expectativas de oferta mundial do adoçante.
Na segunda metade da safra, o ritmo da moagem, as condições climáticas e, principalmente, a estratégia das usinas entre açúcar e etanol deverão permanecer entre os principais indicadores acompanhados pelo mercado sucroenergético.
Fonte: Portal do Agronegócio – Veja na íntegra aqui