A entrada em vigor da tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos sobre o etanol brasileiro reacendeu o debate sobre a competitividade do biocombustível e as relações comerciais entre os dois países. Apesar de reconhecer que a medida praticamente fecha o mercado norte-americano para novas exportações, o CEO da SCA Brasil, Martinho Ono, avalia que os impactos econômicos sobre o setor deverão ser limitados, já que os Estados Unidos hoje representam uma parcela reduzida das vendas externas do etanol brasileiro.
Segundo Ono, a tarifa de 18% aplicada pelo Mercosul ao etanol norte-americano é resultado de acordos comerciais históricos e está associada às negociações envolvendo o acesso do açúcar brasileiro ao mercado dos EUA. Para o executivo, manter essa proteção foi importante para preservar a competitividade da produção nacional, cuja pegada de carbono é significativamente menor que a do etanol de milho produzido nos Estados Unidos.
Na avaliação da UNICA, a decisão do governo americano ignora as assimetrias existentes no comércio bilateral. A entidade destaca que o açúcar brasileiro continua enfrentando cotas e elevadas barreiras tarifárias no mercado norte-americano, enquanto o Brasil mantém regras compatíveis com a Organização Mundial do Comércio (OMC) e permite a participação de produtores estrangeiros, inclusive no RenovaBio, programa brasileiro de descarbonização.
A nova tarifa entra em vigor em 22 de julho e também alcança o açúcar orgânico. Embora a medida reduza ainda mais a competitividade do etanol brasileiro nos Estados Unidos, especialistas avaliam que o setor seguirá sustentado pelo crescimento do consumo doméstico, pelas exportações para outros mercados e pela maior demanda interna impulsionada pela adoção do E32.
Fonte: Notícias Agrícolas – Veja matéria na íntegra aqui