Transição energética pode criar novo risco para os fertilizantes

A transição energética pode gerar um efeito inesperado para o agronegócio: a redução da oferta mundial de enxofre, insumo essencial na fabricação de fertilizantes. Como mais de 80% do enxofre comercializado é obtido da dessulfurização do petróleo e do gás natural, a diminuição do uso de combustíveis fósseis tende a reduzir sua disponibilidade nas próximas décadas.

O alerta ganha ainda mais relevância diante das tensões geopolíticas no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 47% do enxofre comercializado globalmente, aumentando os riscos para a cadeia de suprimentos.

Além disso, o avanço da economia de baixo carbono deve intensificar a disputa pelo insumo. O enxofre é indispensável tanto para a produção de fertilizantes quanto para o ácido sulfúrico utilizado na mineração de cobre, níquel e lítio, minerais estratégicos para baterias, veículos elétricos e energias renováveis.

Para o Brasil, o desafio é ainda maior. A agricultura depende fortemente da adubação sulfurada em culturas como soja, milho, cana, algodão e café, devido à baixa disponibilidade natural do nutriente nos solos tropicais e à elevada dependência de fertilizantes importados. Especialistas alertam que garantir o abastecimento de enxofre pode se tornar um dos principais desafios para a segurança alimentar e a competitividade do agronegócio nas próximas décadas.

Fonte: CNN Brasil – Veja matéria na íntegra aqui