Setor de etanol monitora tarifa dos EUA e nova demanda global

O mercado global de etanol pode estar diante de uma mudança estrutural. Enquanto os Estados Unidos avaliam aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, o avanço do projeto E15 tem potencial para reduzir drasticamente o excedente exportável norte-americano e abrir espaço para novos fornecedores no mercado internacional.

Segundo análise da StoneX, a ampliação permanente da mistura de etanol na gasolina dos EUA poderá elevar significativamente o consumo doméstico e reduzir em até 76,7% o potencial exportador americano até 2027.

Para o Brasil, o cenário é ambíguo. De um lado, a possível tarifa amplia a incerteza sobre o acesso ao mercado norte-americano. De outro, a menor disponibilidade de etanol dos EUA pode abrir oportunidades em mercados estratégicos como Europa, Índia e outros importadores globais.

Os principais pontos de atenção:

Tarifa de 25% ainda depende de consulta pública e decisão final prevista para julho.
Os EUA já reduziram significativamente suas compras de etanol brasileiro nos últimos anos.
O E15 pode absorver parte relevante da produção americana internamente.
O Brasil caminha para uma safra recorde de etanol em 2026/27.
Exportações ganham importância diante do aumento da oferta e da pressão sobre os preços domésticos.

O pano de fundo é uma safra brasileira robusta. A produção total de etanol deve superar 38 milhões de m³, impulsionada tanto pela cana-de-açúcar quanto pelo avanço do etanol de milho. Nesse contexto, a abertura de novos mercados e a competitividade das exportações serão fatores decisivos para o equilíbrio do setor nos próximos anos.

O que o mercado acompanha agora?

Decisão final dos EUA sobre a tarifa adicional.
Tramitação do E15 no Senado americano.
Evolução do câmbio.
Ritmo das exportações brasileiras.
Crescimento da produção de etanol de milho no Brasil.

A combinação entre produção recorde, possível redução da concorrência americana e novas barreiras comerciais tende a tornar 2026 um dos anos mais estratégicos para o mercado global de etanol.

Fonte: Agrolink – Veja na íntegra aqui