China supera Rússia nos fertilizantes, mas Moscou busca manter influência estratégica

A Rússia voltou a reforçar sua parceria estratégica com o Brasil no setor de fertilizantes, mesmo após perder para a China o posto de maior fornecedora desses insumos ao mercado brasileiro. O movimento foi discutido durante encontro realizado em Brasília entre a ministra da Agricultura da Rússia, Oksana Lut, e autoridades brasileiras, às vésperas da Comissão de Alto Nível de Cooperação entre os dois países.

O tema ganha relevância porque o Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome. Em 2025, pela primeira vez, a China ultrapassou a Rússia nas vendas ao mercado brasileiro, embarcando 9,76 milhões de toneladas, contra 9,72 milhões dos russos.

Apesar da mudança na liderança, Moscou segue sendo considerada uma fornecedora estratégica, especialmente em um cenário marcado por tensões geopolíticas, sanções econômicas e riscos logísticos globais. Durante as negociações, Brasil e Rússia discutiram ampliação da cooperação em fertilizantes, logística, armazenagem, sementes, genética animal e segurança alimentar.

A dependência externa continua sendo o principal desafio do país. No caso do potássio, fundamental para culturas como soja e milho, mais de 90% da demanda brasileira é atendida por importações. Essa vulnerabilidade mantém o agronegócio exposto a oscilações de preços, conflitos internacionais e decisões comerciais tomadas fora do país.

Enquanto China e Rússia disputam espaço no abastecimento do mercado brasileiro, especialistas apontam que a verdadeira solução passa pelo fortalecimento da produção nacional de fertilizantes. Sem avanços estruturais, o Brasil continuará dependente de poucos fornecedores e sujeito aos impactos do cenário geopolítico global.

Fonte: CPG – Veja na íntegra aqui