O agro brasileiro está comprando menos fertilizantes, mas gastando muito mais para manter a produção. Dados da CNA mostram que o volume importado caiu 4% no primeiro quadrimestre de 2026, enquanto o desembolso financeiro disparou 16%. A conta do produtor ficou mais pesada. Entre janeiro e abril, as importações recuaram de 7,7 para 7,4 milhões de toneladas e os gastos saltaram de R$ 18,5 bilhões para R$ 21,5 bilhões.
O problema central, segundo a CNA, não é apenas o preço do fertilizante, mas a perda do poder de compra do produtor rural. O cenário foi agravado por causa das tensões no Oriente Médio, alta global da ureia e pressão logística internacional. Enquanto isso, a soja subiu apenas 0,9% e o milho avançou só 0,1%, ou seja, o produtor precisa vender mais sacas para comprar a mesma tonelada de adubo.
Com os preços elevados, o campo começou a substituir produtos: sulfato de amônio ganha espaço frente à ureia; TSP e SSP avançam no lugar do MAP. O movimento busca reduzir exposição logística, minimizar dependência de regiões afetadas por conflitos.
A geopolítica também alterou o mapa dos fornecedores. Em 2025: China assumiu liderança nas exportações ao Brasil e a Rússia perdeu espaço. O ranking atual inclui:
China;
Rússia;
Canadá;
Marrocos;
Egito;
e avanço recente do Turcomenistão.
Dependência externa segue crítica
O Brasil importou: 93% dos fertilizantes consumidos em 2025. Segundo a CNA, isso deixa o agro extremamente vulnerável a:
guerras;
sanções;
fretes;
crises marítimas;
volatilidade global.
O segundo semestre será decisivo para o planejamento da safra 2026/27. O produtor entra na nova temporada pressionado por:
fertilizantes caros;
margens apertadas;
geopolítica;
incertezas logísticas.
Fonte: A Rede – Veja na íntegra aqui