O mercado internacional de açúcar entra em zona de pressão, com preços próximos das mínimas recentes e sinais claros de desequilíbrio entre oferta e demanda. Em Nova Iorque, o contrato do açúcar bruto já ronda os 13,8 cents/lb, nível que preocupa as usinas justamente no início de uma safra estratégica.
Oferta elevada pressiona o mercado
A expectativa de uma safra robusta no Centro-Sul — com moagem estimada em 620 milhões de toneladas — aumenta a pressão vendedora, mesmo com um mix mais voltado ao etanol. Na prática, há mais produto disponível do que capacidade imediata de absorção pelo mercado.
Fundos e geopolítica mudam a dinâmica
A redução das posições vendidas dos fundos, em meio às tensões no Oriente Médio, limitou reações mais fortes de alta. Ao mesmo tempo, a atuação agressiva de grandes exportadores, como Brasil e Tailândia, mantém os preços sob controle.
Energia instável redefine decisões e câmbio pressiona margens
A volatilidade do petróleo e os riscos no Estreito de Ormuz trouxeram um “descolamento” entre açúcar e energia — relação historicamente correlacionada. Ainda assim, o aumento dos custos energéticos tende a pressionar a produção global, adicionando incerteza ao médio prazo. Com o dólar abaixo de R$ 5, as exportações brasileiras perdem competitividade, reduzindo receitas das usinas em um momento já desafiador para o açúcar.
Leitura estratégica para o setor
O cenário reforça um movimento já em curso: mais etanol como válvula de equilíbrio diante da pressão sobre o açúcar. Ao mesmo tempo, cresce a cautela nas negociações, com usinas postergando vendas à espera de melhores preços.
Em um ambiente de oferta elevada, energia volátil e câmbio desfavorável, a decisão entre açúcar e etanol volta a ser o principal eixo estratégico do setor sucroenergético.
Fonte: Notícias Agrícolas – Veja a matéria na íntegra aqui