Navios mais verdes: Brasil abre espaço para etanol e biodiesel no mar

O Brasil deu um passo relevante na descarbonização do transporte marítimo ao colocar em consulta pública um modelo de certificação para embarcações de cabotagem com menor intensidade de carbono — movimento que pode abrir uma nova avenida de demanda para biocombustíveis. A proposta, vinculada ao programa BR do Mar, cria a matriz M.A.R.E.S., um sistema voluntário que combina critérios ambientais, operacionais e sociais e que, na prática, pode garantir vantagens competitivas como prioridade em processos de afretamento e reconhecimento oficial.

No centro da proposta está a diversificação energética. O governo inclui, entre os combustíveis elegíveis, etanol, biodiesel (com destaque para misturas como B24), HVO, metanol verde, bio-GNL, amônia e hidrogênio de baixa emissão. Mais do que a simples troca de combustível, o modelo exige desempenho energético, redução de emissões e cumprimento de métricas internacionais, além de práticas de governança e responsabilidade social a bordo.

A lógica é clara: criar um padrão que premie eficiência e baixa emissão ao longo do tempo. As metas são progressivas e mais rigorosas, com exigência de pontuação crescente até 2050 e redução mínima de 65% das emissões até 2040, tomando como base os níveis de 2025. Embora voluntária, a certificação ganha peso regulatório ao ser vinculada ao processo de afretamento e à visibilidade das embarcações certificadas.

Para o setor de biocombustíveis, o destaque está na inclusão explícita de misturas com biodiesel e no reconhecimento de alternativas como etanol e bio-GNL, o que reforça o papel desses insumos na transição energética marítima. A proposta também conecta a agenda ambiental à política industrial, ao incentivar conteúdo local, contratos de modernização e investimentos em pesquisa e desenvolvimento.

O desenho da matriz reflete um diagnóstico já consolidado: não há uma única rota tecnológica para a descarbonização naval. Estudos da EPE indicam que combustíveis como biodiesel e HVO têm vantagem por exigir menor adaptação de motores e infraestrutura, enquanto opções como amônia, hidrogênio e metanol demandam mudanças mais profundas.

Na prática, o Brasil sinaliza um modelo híbrido e pragmático, que combina múltiplas soluções energéticas com incentivos regulatórios. Para o mercado, especialmente o de biocombustíveis, a iniciativa não apenas amplia o campo de atuação, como também antecipa uma tendência global: a integração entre energia, logística e sustentabilidade como fator central de competitividade.

Fonte: CPG – Matéria na íntegra aqui