Rotas sob ameaça elevam risco global: fertilizantes entram no centro da crise

A possível combinação entre o fechamento do Estreito de Ormuz e a ameaça de bloqueio do Bab el-Mandeb coloca em risco até US$ 10 bilhões por dia em comércio global e amplia a tensão já instalada nos mercados de energia e fertilizantes — com impactos diretos para o Brasil. Segundo Carlo Pereira, especialista em sustentabilidade, cerca de 30% do comércio global de ureia e amônia passa por Ormuz, o que intensifica o risco de desabastecimento e alta de preços. Com o Bab el-Mandeb também sob tensão, em meio a conflitos envolvendo os houthis, o cenário logístico se torna ainda mais complexo.

Para o Brasil, a vulnerabilidade é significativa. O país importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome, sendo 95% no caso dos nitrogenados. A ureia já acumula alta de até 50%, com 15% de avanço apenas na última semana. Embora parte dos insumos da safra atual tenha sido adquirida antecipadamente, o risco agora está na entrega e na logística, especialmente diante das incertezas no fornecimento internacional.

O impacto mais crítico, segundo o especialista, deve recair sobre as próximas safras. A preocupação já se volta para 2026/27 e, principalmente, 2027, com possibilidade de redução significativa na produção de soja, milho e cana-de-açúcar. O efeito pode se espalhar por toda a cadeia, já que a produção de etanol também depende diretamente da dinâmica do petróleo e dos custos energéticos.

Fonte: Times Brasil – Matéria na íntegra aqui