Etanol de milho é viável no Sudeste?

Imagem: RPA News

O avanço do etanol de cereais no Brasil já não é mais uma promessa restrita ao Centro-Oeste. Durante o BioMilho Brasil 2026, realizado em Ribeirão Preto (SP), a palestra de Hugo Sousa de Morais, gerente de negócios da Katzen, mostrou a viabilidade de se produzir etanol de milho em São Paulo, diz nota do “Jornal Cana”.

Segundo Morais, mesmo com o custo da matéria-prima mais elevado no Sudeste, o retorno do investimento de uma usina greenfield pode variar entre 2 anos e 2 meses e 2 anos e 7 meses — praticamente o mesmo patamar das regiões líderes na produção.

Desafio logístico

Produzir longe da matéria-prima significa transportar um insumo que perderá parte significativa de sua massa no processo industrial — cerca de 30% convertida em CO₂. Isso reduz a eficiência econômica, reforçando a lógica de produção próxima à origem agrícola.

O estudo de Morais sustenta que, ainda assim, São Paulo pode compensar essa desvantagem com ganhos em logística de distribuição, já que concentra o maior mercado consumidor do país.

O bagaço de cana como trunfo paulista

As usinas do Centro-Oeste dependem do cavaco de madeira para geração de vapor — a R$ 110 por tonelada. Enquanto, uma planta instalada ao lado de uma usina de cana em São Paulo pode usar o bagaço disponível localmente, a cerca de R$ 50 por tonelada. Isso representa uma redução de mais de 50% no custo energético.

A integração entre as cadeias de cana e milho, portanto, não é apenas possível — é um vetor concreto de competitividade para o produtor paulista.

Com 21 plantas montadas no Brasil nos últimos sete anos — 13 em operação e oito em construção — com tecnologia Katzen, Morais encerrou sua apresentação convicto: “o etanol de milho não veio para competir com a cana no Sudeste. Veio para completá-la.”

Fonte: Jornal Cana