Alta do preço do petróleo pode direcionar a produção global de açúcar para o etanol

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Os preços do petróleo bruto estão sobrevalorizados devido à situação de quase guerra no Oriente Médio, principal porta de entrada para o comércio de petróleo no mundo, e isso impactará na produção global de etanol, diz nota do “Jornal Cana”.

O preço do petróleo bruto atingiu US$ 114 por barril quando as negociações foram retomadas na Bolsa Mercantil de Chicago nesta segunda-feira, 09 de março, um aumento de 23% em relação ao preço de fechamento de sexta-feira, de US$ 92,69, destaca a ChiniMandi.

Os preços do petróleo estão agora cerca de 50% mais altos do que antes dos Estados Unidos e Israel lançarem ataques contra o Irã em 28 de fevereiro de 2026.

Segundo a empresa de pesquisa independente Rystad Energy, cerca de 15 milhões de barris de petróleo bruto, aproximadamente 20% da oferta global, passam diariamente pelo Estreito de Ormuz.

O Iraque, o Kuwait e os Emirados Árabes Unidos reduziram a produção de petróleo devido ao aumento dos estoques em função da limitação das exportações.

A última vez que os contratos futuros de petróleo Brent e do petróleo bruto dos EUA estiveram próximos dos níveis atuais foi em 2022, após a invasão da Ucrânia pela Rússia.

Uppal Shah, diretor-geral e fundador da JK India eAgriTech, afirmou à ChiniMandi: “Os altos preços do petróleo são uma má notícia para todos os países, pois ameaçam aumentar a inflação interna. Estamos em um momento crítico com a escalada da tensão. Os EUA concederam à Índia uma isenção de 30 dias para a importação de petróleo bruto da Rússia, o que representa um alívio muito necessário. No entanto, a redução da tensão é fundamental para que o comércio e a paz sejam restaurados”.

Historicamente, o aumento dos preços do petróleo bruto tem demonstrado uma relação inversa com a produção de açúcar.

Quando os preços do petróleo bruto sobem, a gasolina fica mais cara, tornando o etanol mais competitivo.

As usinas de açúcar no Brasil destinam mais cana-de-açúcar ou melaço para a produção de etanol em vez de açúcar. Isso pode abrir uma pequena janela de oportunidade para as usinas indianas exportarem açúcar para os países importadores.

“Para a safra 2025-26, as usinas brasileiras priorizaram inicialmente a produção de açúcar, com a participação do açúcar na matriz energética atingindo um pico de quase 55% na segunda quinzena de agosto. No entanto, com o açúcar sendo negociado com desconto em relação ao etanol, a tendência de aumento da produção de açúcar deve diminuir, com a participação do açúcar na matriz energética prevista para ficar em torno de 48% na próxima safra”, disse Shah.

Fonte: Jornal Cana